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Previna-se

Pelos parques e ruas é muito comum ouvirmos a máxima: correr é simples, basta colocar um tênis e sair trotando. Mas a realidade não é bem assim. Quem segue esta filosofia está propenso a virar estatística, como a da pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que aponta que entre os atletas amadores grande parte das lesões não estão associadas a colisões ou quedas, e sim à rotação e explosão muscular. Mais de 39% sofrem com lesões musculares e 17,9% com torções. O estudo também aponta que 72,2% dos traumatismos ocorrem nos membros inferiores – como joelho (11,8%), tornozelo (17,6) e coxas (34,5%).

De acordo com o ortopedista e médico do esporte do Hospital Santa Paula, Fabiano Cunha, “a maior incidência de lesões acontece por falta de aquecimento ou exagero na realização das atividades, seja por muita intensidade, muita carga ou longa duração”. Ou seja, situação típica de falta de orientação e treinamento adequado.

Entre os praticantes de corrida, as lesões mais comuns são:

Canelite – inflamação que do osso da tíbia (canela). Em geral, começa com gera dor e desconforto durante e após os treinos. E caso não seja adequadamente tratada pode evoluir para uma fratura por estresse. É mais frequente em atletas amadores iniciantes.

Tendinite – é caracterizada por uma inflamação ou degeneração do tendão de Aquiles, é fruto de um desgaste da articulação. Causa inchaço e dor. Em geral, acomete maratonistas e atletas de longas distâncias.

Fascite Plantar – inflamação da fáscia plantar – tecido localizado na sola do pé – que conecta o calcâneo (osso que forma o calcanhar) aos dedos. Causa dores na região do calcanhar e é mais comum em atletas de médias e longas distâncias.

Fratura por estresse – decorrente do impacto durante a corrida. Pode aparecer em corredores que acumulam alto volume e intensidade nos treinos.

Para Fernanda Rizzo Calabrese, fisioterapeuta especialista em músculo-esquelética, “essas lesões são multifatorais, volume de treinamento e sobrepeso não necessariamente são a causa do surgimento desses problemas”. Por isso, sem prevenção, o risco de lesão só aumenta. E para evitar esses problemas, especialistas defendem que, além dos treinos de corrida, quem pratica o esporte não pode abrir mão de uma avaliação biomecânica da corrida – teste que analisa o movimento de cada pessoa enquanto corre e possibilita corrigir possíveis inconformidades que podem trazer lesão no futuro.

Na rotina semanal de treinos também não podem faltar: exercícios educativos, treinamento funcional e musculação. “Sem falar no aquecimento, que muitos corredores abrem mão, mas que é importantíssimo para ficarmos longe das lesões”, ressalta a fisioterapeuta.

 

 
 
 
 
matéria publicada na ed. 37 do Jornal Corrida