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Que venha o sol!

Proteger a pele da agressão dos raios solares é fundamental na hora de correr. Porém, os médicos alertam para o outro lado da questão: usar de filtro solar por todo o corpo pode levar ao surgimento de doenças ósseas como osteoporose e artrite, em razão da deficiência de vitamina D, fundamental para a fixação do cálcio no organismo. Acontece que os filtros solares diminuem demais a absorção da vitamina D que é produzida pelo organismo por meio da exposição ao sol. Os raios ultravioletas do tipo B (UVB), emitidos pela luz solar são capazes de ativar a síntese desta substância. A vitamina D é responsável por gerar de 80% a 90% dessa vitamina, daí o problema de passar sempre o filtro solar em todas as partes do corpo.

Responsável por regular a absorção de cálcio e fósforo, a vitamina D – que na verdade é um hormônio esteroide lipossolúvel – controla 270 genes, incluindo células do sistema cardiovascular. Também ajuda a manter o bom funcionamento do cérebro e do tecido ósseo, fortificando ossos, dentes e músculos. A vitamina D é fundamental para a fixação do cálcio, principalmente as mulheres após os 40 anos, que têm maior incidência de osteopenia, um quadro que pode se agravar e evoluir para a osteoporose, que torna os ossos fracos e vulneráveis e pode se tornar um pesadelo para qualquer apaixonado por corrida. A deficiência de vitamina D também aumenta a probabilidade de surgir outros problemas de saúde, como a artrite reumatoide e a esclerose múltipla; afeta também o sistema imunológico e está relacionada a processos inflamatórios, aumento da pressão arterial, obesidade e diabetes.

Ao longo dos anos, nossa capacidade de produzir vitamina D diminui: um idoso precisa ficar quatro vezes mais tempo no sol para obter a mesma concentração de vitamina D que um jovem de 20 anos, por exemplo. “Com isso, há prejuízos na fixação de cálcio, aumentando os riscos de perda de massa óssea”, afirma o geriatra Jorge Jamili, especialista em medicina preventiva. Mas aí surge a questão: se a prevenção aos malefícios dos raios solares (que causam desde câncer até manchas e o envelhecimento precoce da pele), como fazer para aproveitar o que o sol oferece de bom – e necessário – para a saúde? A orientação dos especialistas é simples: moderação. O rosto e colo nunca dessem ser expostos, pois são mais sensíveis. Mas outras partes do corpo estão liberadas por períodos curtos.

O mais recomendado é expor-se à luz do sol por períodos de 15 a 30 minutos, de preferência antes das 10h ou depois das 17h, diariamente, sem usar filtro solar nos braços e nas pernas, pois a quantidade de vitamina D absorvida é proporcional à extensão de pele exposta. Além disso, quanto mais idade tem a pessoa, mais tempo deve expor-se ao sol. Em alguns casos, os médicos recomendam o uso de suplementação mineral para se chegar aos níveis recomendados de cálcio, principalmente a partir dos 50 anos.

O QUE PODE
Exposição ao sol períodos de 15 a 30 minutos, de preferência antes das 10h ou depois das 17h, todos os dias, sem filtro solar nos braços e nas pernas