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Boca saudável

Você tem visitado seu dentista com regularidade? Não? Então, talvez a sua saúde bucal seja a responsável por seu baixo rendimento físico.
Diversos pesquisadores já comprovaram a influência da higiene e cuidados com os dentes e gengivas no rendimento de pessoas ativas e atletas. Um estudo sobre assunto realizado com participantes das Olimpíadas de Londres, em 2012, e publicado no British Journal of Sports Medicine, mostrou que 55% dos atletas tinham cárie, 45% apresentaram erosão dentária e doenças periodontais, como a gengivite (76%). Apesar de 18% dos entrevistados terem consciência de que isso influi no treinamento e na performance, mais 46,5% afirmaram não ter feito tratamento dentário no ano que antecedeu o evento.

Inimigas invisíveis que prejudicam a saúde total do indivíduo, atletas ou não, algumas doenças bucais podem provocar até mesmo alterações sanguíneas, que interagem diretamente na saúde sistêmica, acarretando doenças cardíacas ou mesmo dificuldades no processo de reparação muscular.

Pesquisa divulgada pelo jornal escandinavo Medicine & Science in Sports revelou que atletas têm um risco muito maior de erosão dental do que os não-atletas. Além disso, aqueles que treinam várias vezes por semana têm mais cárie do que os esportistas com ritmo moderado de treinos. Concentrado nos triatletas, o estudo identificou que esse grupo consome muito carboidrato em forma de bebida esportiva, gel e barra durante os treinos. Isso faz com que o pH da boca se torne ácido e aumenta as chances de cárie e erosão dental. O que pode acontecer com maratonistas e ultramaratonistas que também estão habituados a consumir esse tipo de suplementação alimentar.

Para Neide Coto, diretora do departamento de prótese bucomaxilofacial da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas), as bebidas esportivas atendem a uma necessidade dos atletas, pois, depois de treinos intensos, a hidratação com esse tipo de bebida repõe minerais e normaliza a quantidade de açúcar no sangue. Mas elas podem fragilizar a estrutura dos dentes, porque são capazes de levar o pH da saliva a uma acidez que põe em risco a integridade dos dentes. “Atletas de alto padrão de treinamento deveriam se acostumar a revezar entre isotônico e água, a fim de neutralizar a acidez da bebida esportiva. A quantidade de bochechos com água corrente e escovação dental desses indivíduos também deveria ter atenção especial”.

Além de cárie e da instalação de hipersensibilidade dentinária (dor ao ter contato com bebidas quentes ou geladas), esses alimentos com alto teor de açúcar também podem provocar mau hálito. “O ideal é que o esportista ande sempre com uma garrafinha recarregável para encher com água filtrada ao longo dos treinos”.

De acordo com o odontólogo Faisal Ismail, “às vezes, a sensibilidade aparece por causa da escovação. Se a pessoa prefere uma escova mais dura e faz muita força, pode provocar a retração da gengiva. O ideal é optar por uma escova macia ou extramacia, fazer movimentos curtos a cada dois dentes e depois terminar penteando a gengiva para baixo”, ensina o Faisal Ismail.