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Vamos falar de suplementação na corrida? – por Anielle D’ Angelo

O assunto “suplementação no esporte” é um ponto que desperta muita curiosidade nos atletas que atendo. Os corredores logo querem saber o que tomar, qual a dose, marcas de produtos e por aí vai. Quando me perguntam sobre este assunto, de cara volto com o seguinte questionamento: sua dieta está ajustada? Sim, porque de nada adianta suplementar se a alimentação (quantidade x qualidade x proporção entre os nutrientes) não estiver em equilíbrio com o que seu corpo precisa. Além disso, o uso de suplementos devem ser adicionais a uma alimentação direcionada para a corrida, e não de forma exclusiva. Portanto, o ajuste da dieta se faz inicialmente necessário antes de recorrer a qualquer suplemento. Pontos também a se considerar: estado de saúde do atleta (já que suplementos interferem no metabolismo), composição corporal do indivíduo, o objetivo que esse atleta tem com a corrida (“for fun” ou performance), disponibilidade de se alimentar (tempo x organização), fase do treino (potência x força x velocidade), data da prova alvo, volume semanal e intensidade do treino. Por isso, procurar sempre um profissional qualificado e atualizado é SEMPRE a melhor solução para organizar sua alimentação e suplementação.

Bom, uma vez alimentação ajustada, aí sim deve-se pensar na introdução (ou não) de uma suplementação específica para este atleta, seja  profissional ou amador. Se entrarmos em uma loja de suplemento veremos uma gama enorme de potes com apelos diversos e inúmeras finalidades. A ciência está aqui para auxiliar nós profissionais da área do esporte e da saúde, darmos a segurança e eficácia do produto prescrito. Caso contrário, “achismos” virão a tona e a chance dos resultados não serem alcançados será grande. Portanto, tenho como conduta ética: prescrever apenas aqueles suplementos que tenham embasamento científico (além, de sempre que possível, de testar e mim mesma para sentir o que os atletas sentem).

Vou destacar aqui alguns dos suplementos que mais confio e indico aos corredores que atendo, mas não falarei em forma de administração, nem em doses, já que isso é individual.

  • Água e Eletrólitos

Digo sempre que nós seres humanos sobrevivemos mais tempo a restrição de comida à de água. Isso ocorre pela alta importância de tudo acontecer dentro do nosso metabolismo em meio aquoso (cheio de água). Em qualquer tipo de esforço físico essa água tem seu consumo aumentado em função das atividades metabólicas estarem também aumentadas, super aquecendo todo nosso sistema. É aí que nós transpiramos, a fim de resfriar nossa maquinaria interna para não entrar em “colapso”. Acontece que, não só água perde-se no suor. Micronutrientes como cloretos, sódio, potássio e entre outros, também são eliminados e que se, não forem repostos, desencadeiam a DESIDRATAÇÃO. Sinais disso são: câimbras, hipotensão (queda da pressão arterial), hipotermia (queda da temperatura corporal), confusão mental, cólicas intestinais, calafrios, até a parada do esforço do atleta.    Tais suplementos a base de eletrólitos são encontrados em pastilhas, cápsulas ou em pó. A reposição se faz necessária quando a sua perda é significativa a ponto de diminuir a performance do corredor.

  • Palatinose

Um tipo de carboidrato de absorção lenta, ou seja, consegue manter de forma mais constante os níveis de açúcar no sangue, ponto este fundamental para a performance na corrida. Outro benefício da palatinose é que ela não inibie o oxidação da gordura intra-muscular, poupando assim, a energia da glicose proveniente do glicogênio muscular. Resultados: fadiga retardada!!!

  • Arginina

Um aminoácido envolvido no aumento da vasodilatação arterial, com consequente, aumento na oferta de oxigênio e nutrientes para todas as células em atividade, principalmente, as células musculares. Efeito: mais energia!!!

  • Beta alanina

Aminoácido que age como tamponamento do meio extra-celular, ação esta importante, quando pensamos em treinos intensos e submáximos com produção excessiva de ácido lático. Sabe-se que a remoção deste ácido torna-se importante para a recuperação muscular do atleta, agindo contra a fadiga muscular.

  • D-Ribose

Um tipo de combustível para as nossas células rápido e eficiente, não somente por aumentar os componentes energéticos que ali temos, mas também em auxiliar na rápida ressíntese dos estoques de ATP (nossa moeda energética).

  • Creatina

Um derivado de aminoácidos que participa do processo de produção energética (ATP-CP), principalmente em momentos de velocidade e intensidade aumentadas. Além disso, estudos vêem sendo descritos com o uso da creatina como fator de diminuição do grau de lesão celular, decorrente do esforço intenso da fibra em esforço, pelo aumento da retenção de água dentro desta fibra muscular.

BOA CORRIDA E ATÉ A PRÓXIMA!!!

Anielle D’Angelo é nutricionista do esporte e estética. Nutricionista clínica com mais de 15 anos experiência em atendimento nutricional. Mestre em Ciências e Especializada em fisiologia do exercício pela USP. Pratica corrida desde 2001.