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Histórias da Maratona do Rio de Janeiro 2017 – por Vicent Sobrinho

Entre a largada e a chegada um abraço. Tão distante e tão perto….

A dona de casa Patrícia Nicácio, 43 anos, está a pouco de realizar seu maior sonho que ela define como se fosse um abraço lhe esperando lá na chegada. “Sim, é assim que defino essa paixão pela corrida!” Paixão adotada de certa forma como uma “dívida” que está há 7 anos num ritmo cardíaco, mas, não sístole, diástole … Uma dívida que ela escuta pulsando… batendo…Tumdum…. Tumdum…. Tumdum… num ritmo emocional … É para mim um compromisso. COMPROMISSO CELESTIAL.

Para entendermos melhor esse momento, é preciso saber que a corrida nunca foi e jamais seria um esporte para Patrícia – “Embora eu tivesse um irmão corredor, nunca imaginava correr uma Maratona. E nem tinha ideia do que significava a corrida. Na verdade eu até odiava ficar suada como ficam os corredores e achava um horror o meu irmão correr todos os dias e eu nem entendia o porquê valia a pena treinar tanto.

“Quando penso em Rio de Janeiro… a primeira imagem que me vem é aquela estátua gigantesca abençoando a cidade e logo me vem a mensagem do Cristo redentor que para mim é muito clara… É a de um abraço! ”

Parece interessante uma pessoa que nunca gostou de correr de repente anseia completar uma maratona imaginando o abraço do Redentor. Mas, na verdade essa imagem já acontece há quase sete anos nos pensamentos dela, pois para Patrícia Nicácio a corrida entrou na vida através de uma fatalidade: “Foi um golpe duro para mim e para toda minha família, quando o verdadeiro apaixonado pela corrida, que sempre foi meu irmão Ricardo Dutra Nicácio, na época com 28 anos, que reforço: Ele SIM amava correr, e numa manhã que prometia chuva e ele saiu assim mesmo para treinar para sua primeira maratona do RJ em 2010, quando passava correndo pela Avenida Brasil, uma árvore “desmoronou” em cima dele atingindo-o na cabeça que veio a levar ao óbito, isso foi dia 14/03/2010”.

Patrícia trazia um sentimento numa mistura de saudade e vontade de cumprir um dia a Maratona do Rio de Janeiro. E em 2011 ao ser convidada por uma amiga arriscou correr na esteira. “Eu disse: eu não sei correr nem 500 metros, mas, foi aí que experimentei e consegui correr 3 quilômetros. E em 2012 me inscrevia na minha primeira prova 10 km que completei em 1 hora sem andar. Cheguei muito emocionada e com a sensação que ele meu IRMÃO estava do meu lado, arrepiei todo o corpo e jurei ali que faria a maratona do Rio de Janeiro para ele.”

É chegada a hora, nesse tempo de cinco anos Patrícia já queria ter corrido a Maratona do Rio, e seguiu a cartilha, correu duas Meias Maratonas, em 2014 os 21k em Buenos Aires e em 2016 a Meia Maratona Caixa Cidade do Rio de Janeiro. “Para a Maratona treinei muito tempo só, e praticamente irei correr sozinha, sem ninguém da minha assessoria. O meu desejo é único. O de cruzar a linha de chegada e pegar a tão sonhada medalha. Essa promessa eu fiz para meu irmão😇 MEU GIGANTE …”

“Vim para a Maratona do Rio para expressar toda a minha gratidão – sentindo o coração batendo forte – num coração duplamente Feliz correndo pelo meu irmão. E como está na medalha materializando o abraço do redentor.”

PS: Patricia guardou o par de tênis que seu irmão usou no ultimo treino. E esse par estará alinhado aguardando ela na chegada da Maratona do Rio 2017.

Vicent Sobrinho é jornalista e desde que correu sua primeira corrida, em abril de 1979, nunca mais parou. Dos 100 metros à maratona, já fez mais de 1.100 provas. Ao completar 50 anos em 2015 resolveu ser maratonista e em 10 meses completou 4 maratonas – todas sub 3 horas. Acompanhe o Vicent Sobrinho nas redes sociais: INSTAGRAM FACEBOOK