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Paixão à primeira lama – por @betapalma

Desconfio que nosso relacionamento está ficando sério. No próximo sábado completa 3 anos. Juro que nunca passou pela minha cabeça que seria “fisgada” desta forma. Já havia passado dos 45 anos quando nos conhecemos e, depois de uma certa idade, ficamos menos vulneráveis aos arrebatamentos juvenis. Nosso primeiro encontro foi mero compromisso profissional. Mas confesso que logo nos primeiros Kms, ela me “quebrou” as pernas! Sim, ela – a trilha!

Minha primeira prova trail foi a Mountain Do Costão do Santinho, em 2014. Fui pelo convite da organização e incentivo de um então blogueiro do Jornal Corrida. Me inscrevi nos 8 km, sem nenhuma empolgação. Aliás, minha maior motivação era passar o final de semana em Floripa, cidade que amo, já morei e ainda hei de voltar a morar!

Depois de anos de corrida, vinha de uma fase sem grandes treinos, provas e metas. Corrida para mim andava se resumindo ao Jornal Corrida. Até que…ouvi meu coração! Rsss…é o texto que escrevi aqui sobre a prova, na época dei o título de “O som do coração” (clique e leia).

Naquele dia, naquela trilha resgatei minha essência. Sou bicho do mato, caipira, criada no interior. Quando criança o programa de final de semana era ir para o mato. Meu pai colocava a garotada da rua no “carro da bagunça”, uma perua Rural Willys (quem lembra?), e lá íamos nós! Erámos em 5 ou 6 meninas e meninos, todos da mesma faixa etária. Parávamos em estradinhas de terra para “escalar barrancos”, matas para nos pendurarmos nos cipós e percorríamos trilhas para chegar aos riachos e lagoas! Assim cresci: correndo no mato, arranhando as pernas no capim-limão, escorregando na lama e mergulhando nos riozinhos, onde conseguia pegar peixinhos na mão. Isso foi nos anos de 1970.

Mas, a Roberta Palma, jornalista, empreendedora, morando em São Paulo desde 1987, foi tirando o pé do chão. Passou a usar sapato e sentir medo de mergulhar em águas turvas! Nadar? Só piscina ou praias transparentes.

E naquela trilha do Mountain Do, em 2014, correndo 8km, escutei o meu coração bater de novo, me resgatei! Seja em Floripa, Patagônia, Noronha, Bombinhas….em qualquer lugar a trilha nos coloca frente a frente com a nossa natureza. São horas você e ela. E você tem que se gostar muito, se aceitar muito, ser muito humilde, para permitir esta conexão! Não sou eu quem digo isso: ouço a mesma coisa de todo trail runner com quem converso.

Depois de uma lesão que me deixou mais de 100 dias de molho e quando inicio a minha preparação para minha “prova alvo” – a Ultra Fiord 2018 – o melhor lugar para voltar para às trilhas só podia ser lá: Mountain Do Costão do Santinho. Serão os mesmos 8k da primeira vez. Só pra “reencaixar”, me reencontrar e treinar. Este ano ainda vou para as trilhas algumas vezes, até chegar a hora da TRILHA (sim, em caixa alta porque ela merece respeito), em abril de 2018.

Ah, trilha, sua linda! Que saudades!  Vai ser bom revivê-la…

Roberta Palma é jornalista por formação, marketeira por vocação e esportista por amor. Criou o JORNAL CORRIDA por acreditar que a prática esportiva é uma ferramenta de formação do indivíduo e de promoção de saúde e qualidade de vida.

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