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42.195… eu fiz! – por Valeria Spakauskas

Neste domingo completei minha sexta maratona. Engraçado como parece ser sempre a primeira, por mais que estejamos preparados, é uma caixinha de surpresas. Estava preparada pro perrengue depois dos 25k, pois em junho fiz os 21k na boa, com confiança, sem dor, inteira. Mas, depois da subida da 23 (que não foi nada suave) já sentia um cansaço forte. Comentei com a Marina Kuriki, amigona de vida, café e perrengues, que estava ficando velha. Rimos e concordamos com o fato! Ela falou: “Val, se cansar faz só os 21K, não se preocupe com o que os outros pensarão, pense em vc. Se precisar, para”. Mas eu não estava preocupada com isso, sei que meus amigos me apoiariam em qualquer situação e sei que os que falam mal falariam em qualquer situação, isso é fato. Mas por mim, eu tinha que terminar.

Foi diferente do Desafio 28 Praias que realmente eu sentia que não iria mais. Dessa vez, era cansaço e uma dor forte de estômago, mas sabia que poderia terminar. Não podia simplesmente desisitr. Quando chegamos nos 21K, tiramos uma foto e eu falei: Má, eu vou. E fui… Nem olhei pra trás para não sucumbir. Ali começou a verdadeira maratona, seriam as retas que eu não gosto, a  Raia da Usp, a Poli, a avenida do Jockey… Atravessar a Marginal, ir até o Villa Lobos. Era chão!!! Era muito chão! Mas fui. Pensei comigo: “Val, você não pode desistir só porque está difícil. Respira e vai. Você treinou pra isso”.

Tinham muitos conhecidos pelo caminho, gente querida, e tinham os companheiros da minha equipe Branca Esportes, voluntários que madrugaram só pra dar apoio, carinho, água, comida, sorrisos e distribuir abraços gigantescos que acolhem a alma. Cada vez que eu encontrava alguém, meu coração transbordava. Nó na garganta! Apoiar maratonistas é algo surreal. Já fiz isso, dar apoio, e receber apoio. É mágico! Não tem preço…

Esses pequenos (e imensos) gestos de gentileza me fortaleceram muito. E isso me faz correr, é por isso que eu corro. A corrida traz muito mais que saúde e bem estar. Os amigos que correm com você, que andam quando você anda e não se importam com o tempo, amigos que trazem comida, palavra amiga, Coca-Cola. Tiram fotos, gritam seu nome, incentivam a correr mais um pouco.

Eu sou uma pessoa extremamente emotiva. Choro facilmente e nessa maratona rolaram muitas lágrimas. Silenciosas, discretas, mas rolaram.

Dos 15 aos 30 eu andei. Forte, mas andei. Muita dor e enjôo. Mas pelo tempo sabia que terminaria. Descobri a causa da dor: um top extra que apertava meu diafragma. Foi só tirar e a dor sumiu… Ressuscitei lá na Raia, onde achei que me arrastaria. Onde achei que seria meu purgatório foi minha redenção. E as pernas tomaram vida e quando vi, estava correndo de novo! Ahhhh, o corpo da gente tem uma sabedoria imensa! E assim, andando e correndo eu fui vencendo km por km. Mas o que realmente animou meu coração, foi uma queridona e especial amiga, suculenta, que foi me buscar lá no final da USP. Luciana Moniz, junto com o ultra atleta e querido Caloi, vieram comigo nos últimos kms. Se eu corria, eles corriam junto, se eu caminhava, eles caminhavam juntos. Dois ultras, ao meu lado, sem julgamento, sem cobranças, apenas me apoiando e me incentivando. Ali ninguém me chamou de pagadora de promessa ou andarilha. Estava completando minha maratona, no meu melhor!

Chorei nos últimos 100 metros. Quando fui pegar a medalha, pedi pra menina do staf colocar no meu pescoço, e ela disse, “com todo prazer”. Chorei de novo!!! É por isso que eu corro, pq a corrida nos faz humildes e gigantes, ao mesmo tempo. Namastê!

assinaturaValeria Spakauskas tem 50 anos, é formada em comunicação social. Instrutora de Yoga formada pelo Instituto Sivananda Brasil – DLS. Começou correr aos 40 anos e nunca mais parou. Maratonista com pretensões de Ultra! Treina com a Equipe Branca Esportes (SP). Fale com a Valeria: Facebook