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Quero correr SP! E vou – por @betapalma

Ano passado postei aqui um texto falando sobre a São Paulo City Marathon. O título “À Iguana o que é da Iguana”. Incrível, um ano depois, organizadora e evento só acumulam méritos! Antes de começar a falar do evento que eu acompanhei de perto, nos bastidores, cobrindo tudo por 15 dias (o programa especial do Jornal Corrida estará no nosso Canal do Youtube no dia 08), quero esclarecer três coisas, fundamentais para entender o texto e lê-lo da forma que foi escrito – com isenção e pensando no mercado em que atuo e invisto desde 2007:

  1. O que faço aqui é jornalismo informativo e opinativo. Frequentei o curso de jornalismo ainda nos anos de 1980. E aprendi desde o primeiro dia de aula a diferença entre opinião e informação, ética/isenção e necessidade de sobrevivência comercial de um veículo. Este texto traz informações e minha opinião pessoal. E não preciso dele para o Jornal Corrida continuar existindo. Ninguém me pagou para escrevê-lo. Escrevo, ainda emocionada, com tudo que vi e vivi acompanhando a City Marathon.
  2. Todos!! Todos os organizadores de prova de rua de SP são parceiros comerciais do Jornal Corrida. Todos sem exceção!! Compram publicidade, não editorial! Aliás, o editorial do Jornal Corrida não está à venda! Nunca esteve. E quando desenvolvemos projetos de conteúdo para parceiros e marcas ele vai identificado, como publipost, publieditorial ou conteúdo patrocinado.
  3. Escrever sobre um evento, não significa que estou criticando outro. Para que o mercado de corrida brasileiro amadureça (crescer é fácil, para amadurecer é preciso humildade e coragem) é preciso diminuir mimimis, polêmicas generalistas, personalização. Sejamos aquilo que somos: profissionais e adultos! Isso vale para todos nós que fazemos este mercado! Inclusive eu e o Jornal Corrida.

Bom, esclarecido isso, vamos à SP City. A prova foi uma prova padrão internacional! Nunca estive numa majors. Mas já corri duas provas internacionais e acompanhei mais algumas. Amsterdam, uma das principais da Europa, que só de brasileiros atrai mais de 500 corredores todo ano, é inferior em termos de organização! Sim, inferior, garanto! Tem o charme da cidade (uma das minhas preferidas deste mundão), da largada e chegada no Estádio Olímpico, mas perde em vários itens para a SP City: kit, percurso, hidratação/alimentação no percurso, expo, serviços e amenidades de arena, atrações no percurso, etc. Jerusalém, idem! A prova da capital israelense ganha em dois quesitos: a emoção de atravessar as muralhas milenares correndo e o jantar de massa na véspera da prova, oferecido pela organização no pavilhão da expo – é maravilhoso, completo e de qualidade!

Coragem para poucos

Admiro a Iguana Sports pela coragem e responsabilidade de colocar na rua uma prova destas sem nenhum grande patrocinador! Sim! Repararam? Na arena de chegada, foram vários os amigos corredores que vieram me perguntar: “Ro, não tem nenhum marca nas camisetas, nem pórtico, como é isso? Como a Iguana fez uma prova neste padrão sem patrocínio?” Pois é pessoal, fizeram! E fizeram bem feito.

Não é uma informação oficial, mas pela minha experiência de mercado, a receita para produzir a prova para 14 mil pessoas (eles produziram para este número, tiveram quase 13 mil inscritos e foram pouco menos de 12 mil concluintes, nos 21 e 42K) veio das inscrições e da comercialização de espaços na expo e food trucks de arena. Nenhuma uma grande marca, seja esportiva, banco, automobilística, de telefonia ou do segmento de higiene, sempre presentes em maratonas no Brasil e no mundo, comprou cotas da SP City Marathon. E mesmo assim ela foi produzida com competência!

A esta altura da leitura, alguns já estarão pensando: “Ah! Mas o kit estava R$ 240,00!!”. Sim, no último lote! A grande maioria dos inscritos pagou o inscrição na faixa dos R$ 170,00. Calculando todos os lotes, o ticket médio da inscrição foi na faixa dos 174 reais. “Ah! Ro, mas mesmo assim é caro!!”. Barato realmente não é, principalmente num país em falência geral como está o nosso atualmente, mas é um preço adequado. Existem provas de 5 e 10 km que cobram 70, 90 reais e na ponta do lápis certamente são bem mais caras pelo que entregam/oferecem.

Desculpem-me, mas é ignorância calcular o custo de um evento destes somando apenas os itens do kit e a água do percurso (por favor, leiam ignorância como aquilo que a palavra significa e não ofensa! Ignorância. substantivo feminino. 1. estado de quem não está a par da existência ou ocorrência de algo. 2. estado de quem não tem conhecimento, cultura, por falta de estudo, experiência ou prática).

É ignorância ou polêmica e manipulação atrás de cliques e de um troco das marcas. Um evento de corrida é muito mais e custa muito mais do que aquilo de recebemos em mãos ou enxergamos pelo percurso. Por isso, gravamos (nós do Jornal Corrida) os bastidores da produção da prova: para mostrar aos nossos amigos corredores que é muito mais que camiseta, chip, medalha e número de peito. Para esclarecer um pouco, só alguns itens que muitos nas mídias sociais esquecem de colocar em sua planilha: equipe de pré-evento (montagem e manuseio de kits e afins), medalha, chip, número de peito, sistema de cronometragem, camiseta, sacolinha, medalha (em alguns como a SP City tem ainda viseira e toalhinha), equipe de montagem de arena (dezenas de rapazes fortes que passam 2, 3 dias montando e desmontando palcos, pórticos, tendas, gradis, etc), transporte (vários e vários caminhões para expo, arena, percurso, etc), gradis, tendas, pranchões/coxos para água percurso, metros e metros de lonas de comunicação visual, cones, gradis, fitas zebradas, uniforme de equipe de percurso e arena (sim, para você identificar quem pode te ajudar, se necessário), equipe de arena (largada/chegada) e percurso, equipe de limpeza (no caso da City eram mais de 400 pessoas), estandes, computadores e material de trabalho para entrega de kit, taxas públicas (na City, calculo que só de CET foram mais de R$ 120 mil)…Enfim, são tantos itens que meu texto começa a ficar chato…Mas é importante lembrar alguns deles para tentar esclarecer um pouco a desinformação que impera no mundo virtual.

Mas, mesmo com todos estes custos e sem grandes marcas por trás, a SP City Marathon marcou com excelência e competência o calendário de corridas do Brasil. A grande maioria não tem noção do que envolve fechar 42 kms de ruas da maior cidade do Brasil. Estivemos numa reunião entre organização e órgãos públicos 15 dias antes do evento (você vai ver em nosso programa). Eram mais de 40 pessoas na reunião: CET, PM, Guarda Civil, Secretaria de Esportes, etc, etc. Até a associação de moradores do Pacaembu estava presente (eles sofrem com as provas na região, e pelo que soube até eles mandaram email elogiando a organização do evento – “…Queremos agradecer à toda equipe Iguana Sports e mostrar para os demais organizadores de eventos desportivos no bairro do Pacaembu, que é possível fazer bem feito, com regras e tudo absolutamente dentro da Lei…”).

Detalhes que fazem a diferença

Para se adequar à lei, atender os moradores da região e viabilizar o evento, a produção esteve atenta a detalhes, como por exemplo, trocar a iluminação da arena de largada para LED e colocar as caixas de som viradas no sentido contrário às residências.

E desde o pré-prova podemos destacar detalhes. A expo e entrega de kit num pavilhão amplo, próximo à estação e terminal Santo Amaro (menos de 1,5 km) e ainda com Bus Free saindo de um dos shopping da cidade (qual evento brasileiro oferece algum transporte gratuito para a retirada de kit?). Climatização dos túneis! Eu não acreditei quando vi. Os túneis são terríveis, quentes, dão falta de ar. Ok, foram lá e colocaram os ventiladores e o DJ para minimizar a “sofrência” deste trecho! Resolveu, talvez não. Mas teve o olhar, o cuidado e a vontade/coragem para resolver a situação. Pedalei da 23 à USP. E o que vi foram muitos postos de hidratação amplamente abastecidos. Isotônico, banana e gel à vontade. Sem falar na bala de goma, na coca e na vaselina!

Perfeição não existe! Mas que a SP City Marathon elevou o nível de produção das maratonas brasileiras, isso ninguém pode negar. Só nega quem ganha algo com isso ou não entende nada de corrida e muito mesmo de produção de provas.

Parabéns Iguana! Eu como corredora agradeço e confesso: os 42k – principalmente no asfalto – nunca me atraíram muito e depois de Amsterdam ano passado, menos ainda. Nunca esteve nos meus planos correr 42 km no Brasil. Mas dia 29 de julho de 2018 estarei lá. Me convenceram. Vou correr 42km pela minha Sampa amada e comemorar meus 50 anos. Quem vem?

 

Roberta Palma é jornalista por formação, marketeira por vocação e esportista por amor. Criou o JORNAL CORRIDA por acreditar que a prática esportiva é uma ferramenta de formação do indivíduo e de promoção de saúde e qualidade de vida. Fale com a Beta Palma: TWITTER FACEBOOK INSTAGRAM Leia mais textos do blog da @betapalma aqui

 
 
 
créditos foto: divulgação/organização – Iguana/Boliche Fotos