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Corrida, endorfina e diversão (parte 2) – por Kauana Araújo

Após um sábado animado com visitação a fábrica da Garoto Chocolates, do Museu totalmente reformulado e que nos proporciona uma boa aula de história sobre Espírito Santo, Garoto e o mundo do chocolate, chegou enfim o domingo – e o grande momento de participar pela terceira vez da Dez Milhas Garoto!

Acordei animada e ansiosa para ver o que essa terceira edição iria me proporcionar. Assim como das outras duas vezes, por não estar acostumada a correr no calor desse estado e na tentativa de me preservar, dosei o ritmo, apreciando as paisagens e o fato de estar correndo em um lugar diferente do meu habitual. O planejamento para 2017 também era esse, porque eu acredito que participar de uma corrida fora do nosso estado tem como missão nos motiva e incentiva a nos fazer ir sempre mais além.

Na largada, diferentemente da expectativa de todos, uma garoa fina dando bom dia e boa prova a todos os participantes animados e também a mim. Por sorte, ela parou antes de largarmos e deu lugar a um sol típico capixaba – e que nunca precisou de inscrição para fazer parte do evento.

Larguei em um ritmo tranquilo, observando tudo e todos e sobretudo feliz por estar mais uma vez nessa corrida. Com um percurso plano, mas com a Terceira Ponte ingrime e extensa – que liga Vitória a Vila Velha – o calor pode sim ser nosso inimigo, se não o transformarmos em nosso aliado no momento certo. Por isso, se você não está acostumado a correr em um tempo seco e quente, o ideal é dosar o ritmo tanto no plano quanto na subida. Eu, por não treinar frequentemente no calor, dosei o ritmo o máximo que pude para não quebrar e usufruir de cada km da corrida.

Nos outros anos, ao entrar na Terceira Ponte para encarar a subidinha temida, sempre falava a mim mesma para não parar e fazer força, se esquecendo que parar para observar o visual também faz parte do pacote. Entretanto, dessa vez estava decidida a parar sim 5 minutos e observar o mar, o visual e tudo aquilo que somente correndo eu poderia vivenciar. Por que não fazer isso? O tempo que cravaria nessa prova não era o motivo pelo qual saí do meu estado; correr e me divertir sim eram as minhas prioridades e por isso, pausei o frequencímetro, respirei fundo e me permiti ficar deslumbrada com aqueles poucos minutos que ficarão para sempre em minha memória. Se você nunca fez isso em uma prova, faça e faça sem medo algum, afinal você não deixará de ser menos corredor por isso.

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Voltei a correr e o sol começou a ficar mais forte e protagonista, mas não me deixei vencer. Forcei o ritmo, ajustei a viseira e continuei. Em Vila Velha, a ansiedade de finalizar a prova começa ainda no momento que estamos correndo a beira-mar e por esse motivo, a maioria dos corredores deixam de olhar para o lado, cumprimentar os moradores que vieram prestigiar o evento e crianças que serão motivas por nós adultos a também começarem a correr em um futuro próximo. Uma pena, porque além de cruzar a linha de chegada, aproveitar o momento é também o ‘grande barato’ da corrida.

Nos kms finais, é o nosso olfato quem nos aciona, pois, a chegada acontece ao lado da fábrica Garoto, esta quem faz toda região cheirar a chocolate. Por esse motivo, quando estamos chegando no pórtico, é possível saber apenas pelo cheiro de chocolate que fica pelo ar e nos proporciona uma sensação diferenciada. Vai me dizer que isso acontece em outra prova? Não, não acontece e é um dos motivos pelos quais sempre vou querer voltar e participar.

Além das pessoas nas ruas, do clima agradável, percurso único e deslumbrante, as cidades possuem uma energia única e nos faz correr felizes. Todo o sacrifício de correr no calor, cansaço e longe da nossa zona de conforto faz total sentido ao chegarmos na linha de chegada e percebermos, mais uma vez, que corrida e endorfina faz com que fiquemos mais felizes, dispostos e sedentos por mais. Participar da Dez Milhas me faz querer mais como ser humana, corredora e mulher e faz com que eu repense minhas prioridades e desejos porque isso também precisam mudar conforme o tempo.

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Obrigada Jornal Corrida, assessoria da Garoto, Yescom e a todos que fizeram esse desafio ser mais divertido e marcante. Ano que vem espero voltar para a corrida mais deliciosa do Brasil. Quem sabe não encaro a Terceira Ponte pela quarta vez em 2018? Vamos torcer para que sim!

 

Kauana Araújo é jornalista, blogueira e maratonista. Fale com a Kauana: FACEBOOK INSTAGRAM