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Maratona da Patagônia – por José Eduardo

Como participar da prova e curtir o passeio pela região no extremo sul do continente

No dia 9 de setembro foi realizada mais uma edição da Patagonian International Marathon, na patagônia chilena. Com percurso no entorno do Parque Nacional Torres del Paine, a prova chama a atenção pelas belas paisagens, mas ao mesmo tempo é desafiadora, principalmente devido às baixas temperaturas. Além dos 42 km, há as distâncias de 10 e 21 km. Está interessado em participar? Veja o que é importante saber para se preparar, evitar contratempos e ainda conhecer um pouco a região.

Como chegar

A cidade é Puerto Natales, no Chile. Porém, o aeroporto mais próximo é o de Punta Arenas, distante 250 km. Há ônibus regulares entre as cidades, e esse trajeto dura aproximadamente três horas. É possível também contratar um transfer ou alugar um carro. A estrada é simples, mas está bem conservada. Apenas evitaria dirigir a noite por ela, pois há animais soltos em vários trechos, como ovelhas e guanacos (uma espécie de lhama, muito comum na região).

Como não há voos diretos do Brasil para Punta Arenas, a conexão em Santiago é inevitável. Somado ao trecho terrestre para Puerto Natales, a viagem torna-se longa e cansativa. Procure chegar com pelo menos dois dias de antecedência da prova, para uma boa recuperação.

Antes da prova

Após a inscrição, a organização exige o envio de exame médico para todos os atletas. No site oficial – www.patagonianinternationalmarathon.com, há instruções e modelo a ser utilizado.

Outra questão que o participante deve ficar atento é se irá optar pelo transporte da prova. As largadas das três distâncias são realizadas em pontos diferentes na estrada que leva ao Parque Nacional. A chegada é no Hotel Rio Serrano, conforme mapa abaixo

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Para chegar até a largada e retornar após a prova, são disponibilizados ônibus pela organização, com uma taxa adicional. Os atletas que optarem por esse transporte devem sinalizar previamente, através dos e-mails enviados por eles semanas antes. A contratação desse serviço é altamente recomendável, caso você não esteja com veículo próprio.

A prova

A retirada dos kits é realizada nos dois dias que antecedem a prova (quinta e sexta-feira), no Espaço Nandú, um mix de restaurante e loja, no centro de Puerto Natales. Não há feira, nem expositores, e tudo ocorre sem filas ou tumulto.

A largada da maratona é às 11h. Não há estrutura alguma no local, apenas sinalizações e alguns banheiros químicos. É comum os participantes aguardarem dentro dos veículos até minutos antes do início, para se protegerem do frio.

O percurso é todo em estradas de terra batida e asfalto, e possui algumas subidas, sendo três delas mais íngremes.

 

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O visual chama a atenção. Montanhas cobertas de neve, lagos, vales e animais fazem parte do cenário. Se o tempo de conclusão não for uma preocupação sua, vale levar uma câmera fotográfica ou celular para garantir o registro.

Nesta edição de 2017 a grande dificuldade foi o vento, que chegou a 90 km/h. O esforço para correr era tão grande que, em alguns momentos, era necessário caminhar. Nas edições anteriores, porém, isso não ocorreu. A grande variação climática é comum na região.

A prova conta com atletas de várias partes do mundo. É comum a participação de europeus e norte-americanos, além de chilenos, argentinos e também brasileiros. São cerca de 600 participantes, considerando as três distâncias.

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A temperatura normalmente varia entre 0 e 10 graus, mas os ventos podem deixar a sensação térmica bem mais baixa. É fundamental utilizar roupas apropriadas, mas a dica é não exagerar. É melhor passar um pouco de frio antes da largada do que ficar com incômodo e carregar peso desnecessário durante toda a prova. Protetor solar e óculos escuros também são itens indispensáveis nessa região.

Os pontos de hidratação estão localizados a cada seis quilômetros, porém não são disponibilizados copos de água. Cada atleta deve levar a própria garrafinha ou mochila de hidratação e abastecê-la conforme necessidade.

A estrutura do Hotel Rio Serrano, local da chegada, é boa e oferece conforto aos acompanhantes que quiserem aguardar os atletas. A cerimônia de premiação é realizada conforme a conclusão dos participantes, nas três distâncias. Há medalha diferenciada aos três primeiros de cada faixa etária, no masculino e feminino.

A cidade – O que fazer e onde comer?

Puerto Natales é uma cidade pequena, de 20 mil habitantes, e quase tudo se passa ao redor da Praça de Armas, no centro. Ficar hospedado próximo a ela facilita a logística para retirar kits, passeios e restaurantes. Aliás, sempre que for a eles, pergunte se há cardápio diferenciado para maratonistas, pois é comum oferecerem menus com preços especiais nos dias do evento.

Dicas de restaurantes:

Espaço Nandú: Café e restaurante com bons pratos. Há também uma loja de souvenires.

Mesita Grande: Especializado em massas e pizzas. É uma ótima opção para o jantar da véspera da prova. Apenas chegue cedo para garantir.

El Asador Patagonico: Para quem não quer ir embora sem provar o tradicional cordeiro patagônico.

La Picada de Carlitos: Restaurante grande, com cardápio variado e bons preços. Muito frequentado também por moradores da cidade. Bom para provar o “prato feito” típico da região, o “Lomo a Lo Pobre”.

Baguales: Cervejaria com vários rótulos, principalmente de cervejas locais, além de bons petiscos.

Creperia Café & Te: Ótima cafeteria, com crepes caprichados.

Dicas de passeios:

Também no centro da cidade há diversas agências de turismo que oferecem passeios na região. Não há grande variação de preços entre elas. Os principais são:

Parque Nacional Torres del Paine: A principal atração da região. Considerado um dos patrimônios naturais da humanidade, há algumas opções de passeios, desde para os mais aventureiros, como os circuitos chamados “O” e “W”, onde é necessário acampar, até o “Full Day”, de ônibus, que permite visitar os mirantes, circular pelo parque e voltar para dormir no hotel.

Glaciares Balmaceda e Serrano: Passeio de barco que dura quase o dia todo. Inclui uma navegação de três horas pelo Seno da Última Esperança, chegando próximo às duas belas geleiras. O almoço com churrasco patagônico em uma estância também faz parte do pacote. Há chances de ver leões marinhos, condores e pinguins no caminho.

Conhece a prova? Tem outras dicas da região? Deixe um comentário abaixo.
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José Eduardo Motta Garcia atua na área financeira, é mestre em administração de empresas e maníaco por maratonas. Sempre que pode, procura aliar as duas atividades que mais gosta: viajar e correr. Acompanhe o José Eduardo nas redes sociais: INSTAGRAM FACEBOOK

 
 
 
créditos fotos: divulgação/organização – Nigsa
 

 

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