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Desafio das Serras: porque só 1 dia de prova é pouco – por Karina Teixeira

Tem prova que é prova e tem prova que é uma experiência completa. O Desafio das Serras é a segunda opção. E eu simplesmente AMO essas novas experiências.Pensa em 2 dias de prova, onde você faz 20k + 20k ou 40k + 40k em solo ou duplas? Em um dia você sobe a montanha, no outro você desce. Pra melhorar, a hospedagem de um dia para o outro é em barracas em acampamento! Isso sim é experiência! Rs…

Sempre ouvi falar muito bem do Desafio e Circuito das Serras (o circuito conta “apenas” com a corrida, sem o acampamento) e morria de vontade de participar. Prova de respeito, que inclusive pontua pra Mont Blanc. E 2017 me trouxe mais esse Desafio junto ao time Columbia (patrocinadora da prova) e lá fomos nós para os 20k + 20k! (Porque eu sou meio doida, mas tenho alguns limites! Rs).

O pré-prova já é bem diferente. Temos que nos preocupar com outros itens como barraca, saco de dormir, manta térmica, etc! Isso fora todos os itens obrigatórios que temos que levar na mochila com a gente: manta térmica, headlamp, apito e corta vento ou anorak.

Deu um friozinho na barriga nos dias anteriores a prova! Seria minha primeira vez acampando! E confesso que não sou a mais tranquilona pra esse tipo de coisa! Rs… O pessoal da Columbia nos deu um mega suporte nessa preparação, o que facilitou demais toda a logística, mas deve dar ainda mais frio na barriga vendo tudo por conta.

Por outro lado, nós já acampamos nas barracas na 6ªf também, sendo que a maioria só acamparia no sábado. Ou seja, 2 dias de um sono fora de uma cama, rs. E olha que 6ª ventou MUITOOOO nas barracas! Combinado com o barulho dos sapos e outros bichos, tava legal! O ponto que tranquiliza: o acampamento fica dentro de um sítio, chácara, fazenda, sei lá… Enfim, tem uma estrutura bacana de suporte, inclusive banheiros e chuveiros, então falicita muito essa primeira experiência.

Bom, sobre a prova: como citei, no sábado era dia de subir a montanha. Então nós descemos de volta à pracinha e largamos. Surpresinha do dia: um sol do demônio! E lá tem muito estradão de terra, então pensa no ar seco que delícia que tava! Rs…. Sorte que depois entramos pra trilhas mais fechadas e arborizadas, se não tínhamos fritado! Rs…

Ainda assim, a água das mochilas ia muito mais rápido do que o previsto e nessa prova temos somente hidratação natural de riachos e cachoeiras que a organização avisa onde estão. Peguei uma água do riacho que até hoje torço pra não ter engolido uns girinos junto, rs! Por isso pessoal já mais experimente recomenda tomar um remédio depois de prova assim pra garantir!

Mas e o cenário da prova? É lindo! A largada é em São Francisco Xavier e passamos por algumas divisas lá em cima, com direito a muitas pedras-mirantes, com diversos turistas! Pena que minha memória não me ajuda e não vou saber dizer pra vocês a ordem das pedras! Mas vale a pena conhecer, pois a vista da cadeia de montanhas é maravilhosa!

 

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Pra descer (sim, também tinha descida no primeiro dia), lidamos com um terreno seco e com muitas pedras, onde minha falta de malília pra montanha esse ano me fez tomar um capote feio. Diferente dos meus outros rolas em montanha onde caía de bunda, esse caí de frente e de peito e joelho nas pedras. Não foi nada gostoso! Só agradeço de não ter sido pedra muito pontuda, porque apesar do tombo feio, foram uns ralados na mão e no joelho sem nada mais grave. Mas que doeu, doeu e prejudicou minha corrida nos últimos 7km +-, mas tá valendo! Deu pra concluir a prova viva e feliz!

A chegada é no próprio acampamento, onde a organização oferece sopas pós prova (acho que não contavam com o calor, rs) e mais tarde, rola um “almojantar” com massas e churrasco, já quando os participantes dos 40k estão chegando. Durante todo esse dia, o pessoal curte bastante o acampamento. Os mais preparados e veteranos levam cerveja, vinho e o que mais a vida pedir pra poder curtir o dia e relaxar. Já os novatos como nós, contam com um food truck vendendo algumas coisinhas no local. O dia encerra com uma fogueira e imagens do primeiro dia de prova.

No sábado a noite na barraca foi mais tranquila. Domingo acordamos e já arrumamos as coisas, que são deixadas com a organização para levarem lá pra baixo. Nós, descemos correndo.

Esse dia é mais tranquilo. Basicamente descida e estradão de terra, sem trechos técnicos. Teve só uma subidona no pasto, mas nada demais. Até ajuda a relaxar um pouco o joelho, que no meu caso, além do impacto com as descidas, ainda sofria pelo tombo no sábado. Achei até que nem iria conseguir correr, mas quando o corpo aquece, vai que é uma beleza né?

Domingo também ficou mais fácil pelo clima. O sol deu uma trégua e corremos o tempo todo com o céu nublado e uma temperatura muito mais agradável. Chegar de volta à pracinha de São Francisco Xavier é pura alegria! Aquele clima gostoso que só quem já fez trail sabe e a medalha finalmente vem ao peito ao fechar a km total! Pois é, no primeiro dia a gente acaba tudo aquilo e não ganha medalha ainda! Mas ganha uma caneca e um suquinho :) rs!

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Brincadeiras à parte, vale muito conhecer esse desafio! A energia é muito legal e a experiência de passar um final de semana com a galera da corrida (e sem sinal no celular) faz muito bem!

Um parabéns especial aos organizadores que antes das largadas, pedem a atenção de todos para recados importantes lembrando o porque estamos ali, como agir, como não, etc! Acho sempre válido reforçar esse tipo de coisa, porque tem muita gente que cai no trail e não tem a menor ideia de como lidar, né? E minha dica sempre: LEIAM o regulamento e as informações da prova sempre! Não custa nada e vai te deixar muito mais preparado, ok? 😉

Quem quiser conhecer o Circuito das Serras, ainda dá tempo!

22/10 – Serra do Japi (Jundiaí)
19/11 – Serra do Juquery
10/12 – Serra do Japi (Cajamar)
 

 

Karina Teixeira Apaixonada por corrida desde 2012, seja por asfalto ou trilhas, longas ou curtas, desafio ou diversão. Tudo tem seu momento. Com o perfil Corredora da Vida Real, defende a corrida da forma que que for prazerosa para cada um, considerando todos os desafios do nosso dia a dia. Acompanhe a Karina Teixeira nas redes sociais: INSTAGRAM FACEBOOK

 

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