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Energia imbatível na Uphill 2017 – por Karina Teixeira

Sabe quando você encasqueta com uma prova? É meu relacionamento com a Uphill desde seu lançamento, porque pirei no conceito, no percurso, em tudo! E todo ano ouvia a mesma coisa “como você não vai? É sua cara!!!”. Pois é, mas respeitando o conceito eu sabia que ela tinha sua hora para acontecer e essa hora foi nessa 5a edição.

É muito engraçado (ou não) ver a cara das pessoas quando você diz que vai pra Uphill. Muitos questionavam “25k né?”. NÃO! 42k, pô! E aí vinha aquele olhar de “xiiii ela não vai conseguir”. Apesar da prova “ser minha cara”, não tenho “cara” (leia-se “corpo”) de ninja, de quem acaba no tempo limite. Hoje até agradeço esses olhares, porque no fundo do meu ego (que não quer assumir), eles me fizeram mais raçuda pra tirar forças do além caso fosse necessário.

Felizmente não foi. Eu já sabia que curtiria a prova, mesmo se precisasse sofrer pra chegar no tempo limite. Era possível, eu sabia. Mas uma prova como essa sempre deixa aquele pingo de dúvida, o que é bom porque nos faz pensar em estratégias A, B, C e ter um domínio muito maior sobre nossa prova. Isso devo muito ao período de coaching com o Zeca onde também abordamos estratégias mentais e de ritmo para essa prova.

O que eu não sabia, era que eu entraria em uma vibe completamente boa durante a prova. Fiz um treino mental muito positivo antes da prova. Afinal, a Uphill tem tudo que eu gosto: subida, estrada e desafio. Mesmo com um sol e um calor completamente inesperados, eu segui firme e extremamente feliz em cada km daquela maratona.

Curtia o sol nascendo na estrada, as subidas leves que aprendi a dominar nos treinos, as pessoas que estavam por perto de mim, dava bom dia para todos os staffs, berrava nos vales pra ouvir o eco e sorria como nem no meu plano A imaginei.

Fui pra prova com uma lesão no calcanhar que era minha maior preocupação, mas que durante os 42k, mesmo estreiando tênis completamente novo (Prorunner Uphill), foi controlável. Tive umas fisgadas musculares na lateral do joelho que confesso que não previ. Mas nem isso foi capaz de estragar a energia que eu sentia ao longo do caminho.

Passar no corte dos 25k, já foi um ponto positivo. Mas não era a garantia do sucesso. Fui comprovar que estava dentro, faltando 10k. Refiz todas as contas mentalmente e soube a folga que eu tinha. Vi que poderia curtir a prova, tirar fotos, filmar, etc! Ainda intervalei mais um pouco, mas na parte mais temida por todos, apenas segui minha caminhada ritimada e curti.WhatsApp Image 2017-09-06 at 10.45.05

Parece mentira que cheguei tão eufórica no trecho mais temido por todos, que até recebia alguns olhares atravessados por extrema felicidade, que transbordava de mim. Desculpa, mas foi inevitável. Eu estava fazendo minha prova mais desejada, naquele lugar encantador, bem e dentro do tempo! Como não estar feliz?

Minha missão era ir até lá e concluir dentro das 6h. E eu estava garantida. Sem todo o sofrimento que eu até considerei que pudesse ter. Foi uma sensação única que jamais vou esquecer. Não desmereço de forma alguma quem faz acima do limite, mas para mim, no meu desafio pessoal, acabar depois de 6h não era uma opção. Sempre falei que se não me sentisse capaz de completar dentro do tempo, eu nem iria até lá. Isso era minha motivação pessoal. Era isso que me movia.

E foi isso que me levou até o topo da temida Serra do Rio do Rastro com uma energia única na alma, que afastou todos os fantasmas sobre a Uphill que tentaram empurrar pra perto de mim.

Cruzar aquele pórtico e me tornar uma #ninjarunner oficialmente, foi a prova que quando a gente se sente preparado, somos capazes de cumprir nossos objetivos, independete do que qualquer um vá dizer a você. Quando seu instinto fala fortemente com você, acredite. Esse é o momento. Esse foi meu momento.

Uphill 2017 ficará para sempre na memória e é muito mais do que se tornar ninja ou voltar com a tão desejada medalha pra casa. Só quem viver entenderá. E se quiser entender, as pré-inscrições para 2018 estão abertas (clique no link para mais informações).

 

Karina Teixeira Apaixonada por corrida desde 2012, seja por asfalto ou trilhas, longas ou curtas, desafio ou diversão. Tudo tem seu momento. Com o perfil Corredora da Vida Real, defende a corrida da forma que que for prazerosa para cada um, considerando todos os desafios do nosso dia a dia. Acompanhe a Karina Teixeira nas redes sociais: INSTAGRAM FACEBOOK

 

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