Maratona de Boston – a “senhora” dos 42km

Entre as maratonas ela é a velha senhora que impõe respeito, escreve suas próprias regras e dita a história. Realizada pela primeira em 1897, a Maratona de Boston faz parte do calendário das Majors, mas é única. Se Nova York é a campeã de popularidade e Berlim a queridinha dos brasileiros, Boston é a mítica. Afinal, para percorrê-la não basta se inscrever e pagar a conta. Tem que apresentar seu “atestado” de que merece fazê-la: conseguir índice oficial que garanta sua participação ou desembolsar grandes quantias para ONGs locais que ganham o direito de comercializar lotes de inscrições, em troca das generosas doações.

Além disso, a prova não acontece nem sábado, nem domingo. Há 121 anos acontece na terceira segunda-feira do mês de abril, no Dia dos Patriotas. E ao longo de mais de um século acumulou história e fatos relevantes: não deixou de acontecer nem durante a 2ª. Guerra Mundial, foi a primeira maratona com uma participação feminina, com Kathy Switzer em 1967, sem falar no atentado terrorista durante a prova, na edição de 2013.

Em 2018 a prova reuniu 29825 atletas de mais de 100 países. Do total, 44% foram mulheres. Os brasileiros somaram mais de 280 corredores. O blogueiro do Jornal Corrida e maratonista José Eduardo Garcia já participou da prova e dá dicas para quem prentende corrê-la. Confira:

–  O percurso da Maratona de Boston pode iludir os iniciantes. Ao olhar a altimetria, nota-se que há mais descidas do que subidas, principalmente na primeira metade da prova. Porém, para os atletas, a experiência é um sobe e desce o tempo todo, o que vai “minando” a musculatura. Entre os quilômetros 25 e 33 estão as maiores elevações, justamente no trecho onde o desgaste do atleta costuma ser maior.
–  A largada é a partir das 10h, em Hopkinton. Os ônibus da organização começam a sair às 6h, do parque Boston Common, levando os participantes até lá, onde está a vila dos atletas. Há uma ótima estrutura com tendas, banheiros e comidas. Para quem larga na primeira onda, de número vermelho, é recomendável já embarcar nos primeiros horários, para evitar filas. O trajeto dura uma hora.
A chegada, na Boylston Street, é um dos momentos mais marcantes para os maratonistas. A concentração de público, imprensa, o esforço dos atletas ao lado, a voz do narrador da prova aumentando a cada passada e, infelizmente, a lembrança da cena da explosão da bomba na edição de 2013, torna o trecho difícil de ser esquecido.

Percurso

Para o blogueiro 3 pontos do percurso merecem uma atenção extra dos corredores:
1. Os 5 primeiros quilômetros. Trecho onde muitos comprometem a prova toda. Com várias descidas, temperatura baixa e empolgação inicial, é comum os atletas percorrerem essa parte além do ritmo ideal, pagando um preço alto no restante da prova.
2. Km 8 – Framingham: essa dica é especial para nós, brasileiros. É o trecho que passa na cidade que possui uma das maiores comunidades brasileiras dos Estados Unidos. Fique bem atento ao público, pois são comuns as bandeiras de nosso país e os gritos de “vai Brasil!”.
3. Entre os quilômetros 25 e 33: O pesadelo dos atletas. É onde estão as maiores subidas, entre elas as quatro colinas de Newton Hills e a temida Heartbreak Hill. Nenhuma delas possui uma elevação muito grande, mas estão em um trecho crucial da prova, onde a musculatura já apresenta forte desgaste.

 

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Para quando você for

Onde comer
No bairro italiano, a Hanover Street possui a maior concentração de restaurantes, grande parte deles especializada em massas e frutos do mar. Alguns chegam a ter fila de espera na calçada. Nesta rua também está o Mike’s Pastry, famoso pelos cannolis.
O Quincy Market, anexo ao complexo Faneuil Hall, abriga vários pequenos comércios de comidas rápidas, como sanduíches de caranguejo e o tradicional clam chowder, uma sopa de mariscos muito comum na região. Já o The Barking Crab (88 Sleeper St) é uma ótima pedida para lagostas e frutos do mar em geral.

O que fazer
Uma das principais atrações da cidade é percorrer a Freedom Trail, uma trilha de aproximadamente 4 quilômetros, toda demarcada no chão, que se inicia no Parque Boston Common e passa por vários pontos turísticos da cidade.
Próximo ao parque também está a Newbury Street, uma bela rua com lojas, restaurantes, cafés e algumas lojas de marcas de luxo.
A visita à fábrica da cervejaria Samuel Adams é interessante até mesmo para quem não é fã da bebida. Há um tour, gratuito, explicando todo o processo de fabricação, seguido de degustação de alguns dos tipos de cerveja da marca. Para os corredores, não se esqueça de levar o passaporte do corredor para levar para casa o copo exclusivo da maratona.
Uma das mais tradicionais universidades do mundo, Harvard, tem fácil acesso pelo metrô e também é uma ótima dica de passeio. Se você tem um pouco mais de tempo, avalie uma visita a Salem, a cidade das bruxas, que ficou muito conhecida depois do filme. A 30 quilômetros de Boston, é possível ir de trem ou balsa.

Mais informações no site do evento

 

 
 
 
créditos foto: baa.org