Eu estou curado do câncer de boca que me atingiu, mas as sequelas do tratamento com radioterapia e quimioterapia ainda me atormentam.

Falta de saliva, de apetite, boa seca e amarga, fazem parte de minha rotina!

As pessoas me perguntam: como mesmo assim você consegue correr? A resposta é: não existe melhor terapia! Sim, para mim a corrida funciona como psiquiatra, psicólogo e psicanalista.

Quem me vê correndo curtas distâncias levando um cinto de hidratação com quatro garrafinhas, certamente se pergunta qual a necessidade? É simples: para poder correr preciso ficar molhando a boca a todo instante para aliviar a secura.

Felizmente a corrida me permite fazer isso. Como fica impossível ingerir tanta água, o fato de estar correndo na rua me possibilita usar a mesma apenas para molhar a cavidade bucal e depois descartar!

Esse processo naturalmente é desconfortável, razão pela qual tenho me permitido participar de provas de até 10 km, cuja duração não ultrapasse muito o tempo de uma hora.

Contando com um razoável número de conhecidos e amigos que a prática da corrida de rua me presenteou, correr na orla e pelas ruas e praças de Salvador é motivo de grande satisfação para mim, pois a todo instante encontro alguém que me cumprimenta e mostra alegria por me ver de volta às pistas! Tudo isso considero salutar para o meu completo restabelecimento.

Tenho dito e reafirmo: câncer é sofrimento, mas não é sentença de morte! Se tiver o infortúnio de ser acometido, não se deixe abater!

LUTE com todas suas forças, não perca a alegria de viver e fazer o que gosta! No meu caso, eu não desisti de CORRER!

Até breve….