A convite de uma amiga muito especial e querida, fiz os 42k trails mais difíceis da minha vida: o Desafio 28 Praias. Fomos juntas na celebração da cura dela de um câncer (na realidade foram 3). Ela queria celebrar a vida numa maratona (a primeira dela) e me chamou para irmos juntas, em ritmo de comemoração e agradecimento. Tocar o sino da redenção.

Tomei um susto! Não estava esperando fazer uma maratona, muito menos essa. Não estava preparada fisicamente e nem emocionalmente, mas não tinha nem como recusar. Me senti honrada, agraciada e surpresa. Bateu um medo gigante, mas fui! Sem falar que eu quebrei nessa prova, ano passado, tentando finalizar esses 42k insanos. Revi todo cansaço e frustração que senti. Mas topei! Sabia que seria difícil, muito difícil. Mas superou minhas expectativas. Nós sofremos muito, é uma prova cruel. Morros que não acabam nunca, muita subida, pedra, rios. O que ajudou foi que não choveu e assim, as trilhas ficaram mais humanas (se é que isso é possível). Mas estava um sol de rachar. Então, sofremos com o calor. Nunca é fácil…

A paisagem é fantástica. No primeiro morro você olha lá pra baixo e se sente pequena diante daquela imensidão. Gratidão pura, de perder o fôlego. Praias desertas, só de pescadores. Areias fofas. E mais morros, e mais areia fofa, e morros (muito morro) e pedras. Assim foram os 42. Mas depois de um certo tempo e muitos kms, a paisagem já não ajuda mais. Vem o mau humor, o cansaço, dói tudo, a fome, a vontade de chegar, de deixar pra lá e entrar na van.  Só nos últimos kms que tivemos 4k de asfalto. Numa subida, claro.

Foi mais difícil emocionalmente, pelo que representava essa jornada do que fisicamente (chegamos exaustas). Não dava pra simplesmente desistir! Terminei a prova descalça, a sola do pé ardia de tanta areia na meia e no tênis. Terminamos em estado de graça, ou de choque, não sei dizer. Mas terminamos essa odisseia. Sim, foi gigante! Foi bruta! Foi linda. Honramos o nosso desafio. Realmente foi uma maratona de alma.  A gente entrou numa vibe, numa força mental, num estado de crença, de oração, de emoção. Eu olhava pra ela, e ela quieta, muitas vezes chorando silenciosamente, de cansaço, de gratidão, de redenção. Uma cara de sofrimento. Ela rezava. Eu rezava. Andávamos em silêncio, muitas vezes pensamos que já não daria mas, mesmo assim, seguíamos. Quietas continuávamos até o próximo PC. Só mais um pouquinho…

Foi uma das coisas mais bonitas que fiz na vida. Correr com ela, e por ela, trilhar cada km, agradecendo à vida, à saúde, à superação. No final estouramos o tempo, mas seguimos mesmo assim. Precisávamos encerrar essa jornada, seguimos sem saber se rolaria medalha, apenas seguimos… Fomos ao esgotamento mental mais do que físico. Foi uma imensa prova de força de vontade e de gratidão. É impressionante quando a mente assume o desafio e segue, firme, no propósito. Foi assim do começo ao fim. Puro propósito. Intenso e Insano.

Aqui deixo meu coração em formas de palavras, pela beleza da vida e pela força de uma Maratona. Duas amigas que se conhecerem numa corrida e que seguiram juntas, pelo significado único da palavra AMIZADE! “Miga sua loucaaaaa”!!! A grandeza que a corrida nos traz sempre. (Obs: Recebemos a medalha e a camiseta finisher).

Namastê!