Imagem de mãe e filho que praticam corrida
Gisele Macedo e o filho Thiago

Neste domingo comemoramos mais um Dia das Mães e a corrida da maternidade não é nada fácil. Todo dia é uma ultramaratona. Conciliar cuidados com os filhos, com a saúde, com a casa, trabalhar e, ainda, ter tempo para completar as planilhas de treino. Ufa! Haja resistência e velocidade para lidar com tantas as tarefas. Maternidade e corrida é realmente coisa de “mãeratonistas”.

Pelos parques e locais de treinos do Brasil afora, o que não faltam são histórias de mulheres que praticam corrida com os seus filhos e servem de motivação e inspiração, não só para seus filhos, mas também para todos nós. É o caso da Gisele Macedo, de 45 anos, e seu filho, Thiago, de 16 anos.

Comecei a correr para mudar de vida, melhorar a autoestima,  fazer só musculação era muito pouco. O Thiago me acompanha nos treinos e corridas desde os 10 anos”. Mas foi em dezembro de  2017,  quando o garoto acompanhou a mãe na retirada do kit da São Silvestre, que veio o empurrão que faltava para ele correr ao lado da mãe. “Ele ficou muito animado ao ver tantas pessoas diferentes para correr uma prova. Perguntei se ele queria subir a avenida Brigadeiro andando comigo e ele topou. Enquanto caminhávamos, o Thiago disse: se eu consegui caminhar até aqui, eu consigo começar a correr com você, mãe. Em janeiro deste ano, começamos a caminhar juntos e desde então eu intercalo meus treinos de corridas e as caminhadas de 4km com ele. Corremos um prova de 7km e fiquei muito feliz vê-lo cruzar a linha de chegada. Eu sinto um orgulho muito grande de correr com meu filho, ver a melhora da autoestima através da corrida e da reeducação alimentar. Estamos treinando para a minha próxima maratona e logo vamos correr mais provas juntos.” diz Gisele.

imagem de uma mulher e duas crianças com roupas de corrida e medalhas
Ruth Herculano e os filhos, Débora e Deivid

A paraibana, Ruth Herculano de 45 anos, conta emocionada sobre a surpresa que os filhos gêmeos,  Débora e Deivid, de 12 anos, fizeram durante uma prova em sua cidade. Corro desde 2011 e meus filhos sempre me acompanham, procuro incentivá-los a praticar atividades físicas desde pequenos. Debora e Deivid, de 12 anos, costumam estar presentes nas largadas e chegadas das provas que participo e várias vezes subiram no pódio comigo. Em outubro de 2016, eles me pediram para comprar a camiseta da Corrida do Sesi. Na época, comprei kits para os três, mas eles ficaram na arena para assistir a minha corrida.  O percurso era uma volta que passava pelo viaduto da cidade de Parauapebas e quando eu estava em cima do viaduto, vi meus filhos correndo na parte de baixo. Eles esperaram e largaram depois de mim. Num primeiro momento fiquei preocupada, pois a pouco tempo, Débora tinha lesionado o joelho e eles não tinham treinado o suficiente, mas estavam determinados a correr os 10 km. Tive a alegria e o orgulho de esperar os meus filhos na linha de chegada e foi emocionante abraçá-los depois da chegada. No final deste mês, vamos participar da corrida das mães e estou muito feliz”.

Marina Kuriki e a filha Mariana

A corrida também pode derrubar barreiras no relacionamento entre mãe e filha, como na história de Marina Kuriki, de 55 anos, e a sua filha Mariana, de 22 anos.

“Eu pratico corrida desde 2003. No ano passado, minha filha caçula, Mariana, queria perder peso. Então, começou uma dieta e, paralelamente, passou a fazer caminhadas pelo bairro. Para motivá-la passei a acompanhá-la e, sempre que possível ‘puxava’ um trote ou subir por uma ladeira. Foi assim que ela percebeu que correr não era um sacrifício, era prazeroso. Hoje, oito meses depois, ela gosta e sente falta. Sempre que possível saímos juntas para treinar. Uma puxa a outra. E entre uma passada e outra, a  corrida derrubou um ‘muro’ que havia entre nós, erguido após a minha separação do pai dela. Durante as corridas conversamos, compartilhamos tudo. A corrida nos aproximou e transformou nossa relação de mãe e filha”, confessa Marina.

Mariana concorda. Para a jovem, “a corrida traz um bem-estar enorme que é compartilhado. Nós nos aproximamos, passamos mais tempos juntas e temos muitos assuntos em comum. Correr com a minha mãe faz um bem enorme tanto fisicamente quanto emocionalmente, é uma companhia importantíssima, uma inspiração”.

imagem de Nilza Almeida segurando um troféu ao lado do seu filho Gilberto Almeida com uma medalha
Nilza Almeida e o filho Gilberto

O amor pela corrida também pode tornar-se profissão. A história de Nilza Almeida e o filho Gilberto mostra que motivação e inspiração são a base de tudo. “Comecei praticar corrida há 8 anos em um parque próximo à minha casa com duas amigas. Uma equipe de corrida me convidou para fazer parte de uma ONG, que incentivava a pratica de esportes entre as crianças. Foi quando decidi levar os meus filhos lá. O Gilberto, com 10 anos, pediu para participar de uma corrida e o inscrevi em um circuito kids. Desde então, já corremos muitas meia-maratonas e diversas provas de 5km e 10km. Ele está no último ano da faculdade de Educação Física pelo meu incentivo e pela paixão pela corrida. É emocionante ver meu filho gritando “Vai, mãe! Mais um tirinho, mãe! Uma sensação de energia e amor, um sempre incentivando o outro.”

 “Eu me sinto muito privilegiado por correr ao lado da minha mãe, estamos sempre incentivando um ao outro. Eu não seria um corredor e não teria tanto orgulho de trabalhar com o esporte se não fosse o incentivo dela. Um feliz dia para todas as mães que são a inspiração na corrida e na vida para os seus filhos”, diz o filho Gilberto.