Como a Av. 23 de Maio altera a história da SPCity Marathon
- Renata Monte Alegre
- 13 de jul.
- 3 min de leitura

A Av. 23 de Maio é, provavelmente, o trecho mais famoso da SPCity. Quase todo mundo chega à prova falando dela. O curioso é que muita gente passa a respeitá-la pelo motivo errado. Bora entender isso melhor?
A pergunta mais comum é se a subida assusta pela inclinação. A resposta é: não exatamente. O que transforma a 23 de Maio no principal desafio altimétrico da prova é a negociação longa que ela exige do corredor. Depois dos kms iniciais, que já acumulam cerca de 80 a 90 metros de ganho de elevação e exigem contenção desde a saída do Pacaembu, o corredor chega à alça da Rua Asdrúbal do Nascimento praticamente sem tempo para relaxar. É ali que a 23 de Maio começa de verdade. A subida se estende por aproximadamente 2,3 quilômetros. Ao longo desse trecho, o atleta ganha cerca de 68 metros de altitude, com inclinações que variam entre 4% e 6%, concentrando o maior ganho altimétrico contínuo de toda a prova.
Isoladamente, esses números não impressionam tanto quanto uma subida curta e muito inclinada. O problema da 23 é justamente esse: ela nunca parece suficientemente íngreme para obrigar você a reduzir o ritmo. E é aí que mora a armadilha. A 23 de Maio convence muita gente de que ainda dá para correr "só um pouquinho acima" do planejado. O corredor olha para frente, percebe que a inclinação é constante, sente que continua inteiro e decide insistir no mesmo pace que vinha fazendo no plano. Só que fisiologia não negocia com o relógio e manter o mesmo ritmo numa subida significa aumentar o esforço. E é esse esforço, não o pace, que cobra juros mais tarde!
Por isso, antes de subir a 23, entenda: existe uma diferença importante entre uma subida muito inclinada e uma subida longa. A subida muito inclinada obriga você a respeitá-la; já a longa deixa você acreditar que está no controle. Na 23 de Maio, a maioria não quebra porque faltou força para vencer a inclinação, mas porque passou mais de dez minutos produzindo potência acima do que deveria, justamente numa fase da prova em que o organismo ainda está construindo a conta que será paga lá na frente.
Outro detalhe costuma passar despercebido: quando o corredor finalmente chega ao topo, próximo ao Paraíso, a sensação é de puro alívio. O gráfico muda completamente de direção e começa uma longa descida em direção ao Jockey. Muitos interpretam esse momento como uma oportunidade para recuperar o tempo perdido. Mas, na prática, recuperar tempo e recuperar o corpo são objetivos beeem diferentes. A descida reduz a frequência cardíaca, mas aumenta a carga sobre quadríceps e panturrilhas. Quem transforma esse trecho numa perseguição ao relógio costuma chegar à marca da meia-maratona com a sensação de estar voando. O problema é que, pra quem vai pra maratona, a placa de 21 km representa apenas o fim da primeira metade. Ainda faltam Villa-Lobos, USP e o retorno ao Jockey... e isso é coisa pakka!
Quer continuar estudando a SPCity? Então fica de olho na cobertura completa dessa prova, aqui no site do Jornal Corrida. Mesmo assim, ficou alguma dúvida? Deixa nos comentários! Se uma pergunta passou pela sua cabeça, provavelmente já está tirando o sono de muitos outros corredores. A gente ama correr atrás de quilômetros, mas ama ainda mais correr atrás de informação que faz diferença no dia da prova. #jornalcorrida #spcitymarathon2026

