Just fix it, Nike. A corrida não precisa disso.
- Renata Monte Alegre
- 18 de abr.
- 2 min de leitura

O cartaz que foi estampado pela Nike como parte da estratégia de comunicação da marca em Boston, e que diz ”corredores são bem-vindos. Caminhantes são tolerados.” não é só uma frase infeliz. E isso sim, não pode ser tolerado.
Num esporte que cresce justamente por ser democrático, diverso e cada vez mais coletivo, vide os dados mais recentes do mercado, com aumento de novos corredores, mais mulheres e comunidades puxando o engajamento, uma das marcas mais tradicionais do mercado escolhe reforçar uma lógica de exclusão. Velada e disfarçada de ‘marketing’ de guerrilha’, mas que ficou bem clara pra quem se sentiu descartado.
Agora puxa o freio um segundo: quem são esses “walkers” que a Nike decidiu “tolerar”? São iniciantes, atletas voltando de lesão, corredores estratégicos e maratonistas experientes que encontraram no run-walk uma forma inteligente de continuar no jogo. E aqui a falta de timing da marca pesa ainda mais. No ano da morte de Jeff Galloway, o cara que transformou caminhada em ferramenta de performance e não em fraqueza, a frase deixa de ser só elitista. Ela vira exemplo de marca desinformada. Isso sim, intolerável.
A Nike apagou o cartaz? Sim. Mas o print já tinha corrido mais que muito pelotão de elite. A repercussão veio rápido e com toda razão. Corredores, treinadores e comunidade reagiram porque reconheceram o tom: aquele velho filtro disfarçado de humor sarcástico. Só que 2026 não tem mais paciência pra isso.
A pergunta que fica pra Nike é desconfortável, mas necessária: que tipo de corrida vc s querem construir? Uma onde só “os rápidos” pertencem? Ou uma onde mais gente chega, do seu jeito, no seu tempo, com sua estratégia? Porque no fim, quem caminha hoje pode estar correndo amanhã. E quem corre já caminhou pra chegar até aqui.
Agora me diz: esse cartaz foi só um deslize de comunicação ou um sintoma de como algumas marcas ainda enxergam o corredor? #jornalcorrida #corridaderua



