O Mapa das Emoções na SPCity 2026
- Renata Monte Alegre
- 19 de jul.
- 4 min de leitura

Atenção, corredor! Você está prestes a completar mentalmente o percurso da SPCity Marathon 2026 (tanto nos 21km como 42km). Isso se chama visualização e é uma poderosa estratégia de treinamento mental que vários atletas profissionais e amadores utilizam na preparação para uma competição. Ela consiste em criar imagens mentais de si mesmo se apresentando em nível ideal. O objetivo é treinar a mente para se concentrar nos resultados positivos desejados, o que pode ajudar a melhorar sua performance e aumentar suas chances de sucesso.
Bora visualizar sua prova em 26/7?
0–2 km | A isca da descida Largada na Praça Charles Miller. O começo engana: é descida pela Av. Pacaembu. Mas não é bônus, é armadilha. Quem gasta o freio motor aqui vai pagar em ácido lático lá na frente. Então, segura a onda e aproveita, porque a festa está só começando!
2-4 km | A maior novidade no percurso em 2026. Nesse trecho, você será apresentado ao novo personagem no percurso da prova, que chegou para compensar a saída do minhocão: o viaduto Orlando Murgel. Com apenas 479m de extensão e cerca de 4% de inclinação, essa subida aparece cedo demais para ser encarado como desafio. Mas cedo o suficiente para provocar o ego e fazer você subir mais rápido do que deve. Resista à tentação!
4–8 km | Centro velho, foco novo. É bonito passar pelo coração da cidade, mas é fácil se perder no labirinto de curvas, tangentes ruins e ritmo quebrado. O GPS vai ficar maluco, sua cabeça também. É o trecho onde você precisa correr com o olho no asfalto irregular e o foco no seu corpo. É aqui que a corrida começa a separar quem só treina de quem estuda a prova.
8–13 km | Subindo sem parecer. A Av. 23 de Maio é o primeiro trecho de ganho real de altimetria. Não parece, mas você vai subir por 2 kms contínuos. Trecho perigoso: se vc não ajustar o esforço, vai sentir a cobrança antes de chegar no Ibirapuera. Falando nisso: não pule o ponto de hidratação por volta do 10km, na região da Liberdade, bem no início da subida da avenida 23 de Maio. O próximo, só perto do parque!
13–17 km | Ibirapuera e túneis, o alívio e a armadilha. Chega o parque, o trecho mais plano e agradável da prova. Mas logo depois, os túneis Jânio Quadros e Sebastião Camargo podem tirar o fôlego, literalmente! A temperatura muda, a umidade sobe, e o GPS te deixa órfão. Corra por sensação de esforço, não por tela. Acredite: há luz no final do túnel!
17–23 km | Meia maratona não é só a metade. Aqui, o altímetro estabiliza. Mas sua cabeça não. É a hora do balanço: como estão suas pernas, o estômago, o ritmo? A saída dos meio-maratonistas para cruzar a linha de chegada no Jockey favorece o fluxo e marca o fim da linha para a maior parte dos atletas na prova de 26/7. E pra você, que segue pros 42km ? É aqui que a sua prova começa de verdade.
Chegada dos 21km! Hora de parabenizar e se despedir dos meio-maratonistas, que farão o retorno na via pra correr os metros finais da prova na direção do Portão 1 do Jockey Club. Dica pra quem segue nos 42km: mantenha o ritmo alvo, mas prepare-se mentalmente para a segunda metade da prova, bem mais desafiadora!
23–25 km | Entrando no segundo tempo. Esse trecho é mais do que uma continuação: é o ponto de virada. A meia termina. Os que estavam só por 21km vão embora. E você parece ficar sozinho. É aqui que vem a pergunta: o que é que eu tô fazendo aqui mesmo? Se você não tiver uma resposta pronta, esse trecho te afunda. Se tiver, é quando você cresce!
25–31 km | USP: sobe devagar, mas sobe sempre! A entrada na USP é um trecho traiçoeiro da altimetria. O gráfico mostra picos suaves, mas o acumulado pode cobrar caro. Aqui, o falso plano se arrasta. E as pernas, se mal abastecidas, viram cimento. A esponja, perto do ‘muro’ no km 30? É quase simbólica: um batismo. Porque o que vem depois não é só uma maratona, mas um ritual de passagem.
31–38 km | O trecho mais longo da prova. Esses 7 km dentro da USP parecem um looping infinito. O sobe e desce curto, a textura irregular do asfalto, o silêncio e a solidão da Cidade Universitária vão exigir mais do que pace. Aqui, sua corrida vai pedir propósito, então relembre o que te move e te trouxe até ali. Tem nuts e refrigerante perto do 35 km, pra ajudar na conversa do cérebro com as pernas.
38–40 km | A linha final é em linha reta, mas não é reta a emoção. Saída da USP: esponja, bala de goma, hidratação. A última subida da Lineu de Paula Machado chega no 40. O gráfico mostra sim, mas o corpo sente mais. Depois, a chegada no Portão 1 do Jockey promete ser uma experiência mais suave, mas só pra quem chegar inteiro!
40–42 km | A Chegada é decisão, não consequência. Os últimos 2km são os mais mentirosos: todo mundo diz que está “perto”, mas ninguém diz o quanto dói. Linha de chegada à vista, mas cada passo é um grito interno. Você sabe que acabou, mas só vai terminar quando seu corpo deixar. A mente já foi embora. O que te empurra agora é a vontade de escrever uma história que só você vai entender: ser finisher da SPCity 2026. Parabéns, maratonista!



