Reserva: sua prova começa em um lugar que não parece o Rio.
- Renata Monte Alegre
- 2 de jun.
- 2 min de leitura
A largada dos 42km da Maratona do Rio 2026 vai colocar o corredor num dos trechos mais “Rio de Janeiro cartão-postal sem filtro” da cidade: a Praia da Reserva. E isso muda bastante a experiência da prova.

A Reserva é um dos poucos trechos da orla carioca ainda com sensação de vazio urbano. Sem prédios na areia, sem calçadão lotado, sem comércio intenso.
Isso cria uma atmosfera muito diferente da largada tradicional no Aterro: menos caos visual, mais vento, mais escuridão e mais sensação de isolamento no começo da prova.
O nome “Reserva” vem da Reserva de Marapendi, área de preservação ambiental ao lado da praia. A região preserva vegetação de restinga e manguezal, o que ajuda a explicar por que aquele trecho costuma ter vento mais constante vindo do mar e menos proteção natural contra rajadas laterais.
A largada será próxima da “Ilha 3”, referência dos quiosques da Reserva. O trecho é extremamente exposto. Sem árvores, sem sombra, sem edifícios bloqueando vento. Em junho, antes do nascer do sol, isso pode gerar uma percepção térmica mais fria do que o corredor espera do Rio. O erro clássico será chegar de regata e ficar 40 minutos parado tomando vento marítimo às 4h30 da manhã.
A Avenida Lúcio Costa naquela região é larga, reta e visualmente “rápida”. Isso cria um risco psicológico importante: o corredor sente que está sobrando energia porque o cenário parece fácil demais. É exatamente o tipo de início que induz pace irresponsável.
O amanhecer provavelmente será um dos momentos mais fortes da edição 2026. A tendência é que os primeiros quilômetros aconteçam ainda no escuro e o sol apareça entre Recreio e Barra. Para muita gente, será a primeira vez vivendo uma largada de maratona praticamente à beira-mar aberta, sem o efeito “corredor urbano” das majors tradicionais.
Outro detalhe importante: a Reserva tem menos opções de acesso e menos “vida 24h” do que Zona Sul. Isso muda completamente a logística do pré-prova. Não é um lugar em que o corredor resolve café, banheiro, farmácia ou conveniência na última hora andando uma esquina.
O ponto mais simbólico dessa mudança talvez seja outro: a maratona volta a começar “longe da cidade”. O corredor sai de um trecho quase silencioso e vai entrando gradualmente no Rio turístico, urbano e barulhento. Absolute cinema, a Maratona do Rio é um percurso que cresce. A cidade vai aparecendo aos poucos. E isso combina muito mais com a ideia clássica da Maratona do Rio histórica.
A nova largada da Maratona do Rio não altera só o mapa, também muda o comportamento que a prova exige do corredor, principalmente o que nunca correu ali ou estava acostumado às largadas no Aterro. Quem tratar a Reserva como “só mais uma praia” pode começar a maratona errado antes mesmo do km 1. #jornalcorrida #maratonadorio2026 #corridaderua



