corredor amarrando o tenisÉ na hora de enfrentar os desafios – e as dificuldades que vêm junto com eles – que o nível de amadurecimento psicológico e alguns traços da personalidade costumam funcionar como vilões ou grandes aliados. Uma característica importante, que faz grande diferença no desempenho em momentos críticos (como uma prova ou competição), é a resiliência, definida como o “processo de boa adaptação em face de adversidades, traumas, tragédias, ameaças ou motivos significativos de estresse”, pela Associação Americana de Psicologia. Uma pessoa resiliente pode até “dobrar”, mas não “quebra” quando confrontada com situações adversas, que exijam controles das próprias emoções.

Os psicólogos sabem que essa maneira de lidar com os problemas facilita a recuperação emocional de forma relativamente rápida quando passamos por perdas e sofrimentos. Biologicamente, podemos dizer que a resiliência é a capacidade de aproveitar de forma construtiva a resposta ao estresse, uma habilidade essencial para a saúde física e mental. O estresse crônico pode comprometer o sistema imunológico e contribuir para o aparecimento de diversas doenças, como depressão, úlceras gástricas, asma, diabetes e cardiopatias.

O sucesso de uma pessoa em qualquer área da vida parece depender, em grande parte, da resiliência, ou seja, da habilidade de deixar de ressentir-se e remoer as dores e seguir em frente. Não se trata de negar a dor, menos ainda de “fazer de conta que está tudo bem”, mas sim de não apegar-se às dificuldades, abrir-se para o que pode ser bom, sem se importar tanto com a aprovação alheia. Em um artigo publicado na Harvard Business Review, o psicólogo Dean M. Becker, que há anos vem estudando essa capacidade, afirma que “a resiliência influi mais na vida de uma pessoa que educação, experiência ou instrução. Isso vale para saúde, competições esportivas, até mesmo as Olimpíadas, e para a vida profissional”.

O estresse crônico pode comprometer o sistema imunológico e contribuir para o aparecimento de diversas doenças.

Manter a determinação (às vezes mudando o foco e revendo objetivos) ou desistir facilmente (e se dar por vencido) diante das dificuldades depende de diversos fatores. A resiliência é influenciada tanto por características inatas como pelas experiências de vida que afetam o modo de adaptação ao estresse. Embora algumas influências externas, como a pobreza, sejam difíceis de serem revertidas, a pessoa pode aprimorar sua capacidade de flexibilidade cultivando de atitudes e pensamentos que favoreçam a elaboração de situações difíceis e até de traumas. Veja algumas delas:

– É desconfortável, mas vai passar. Quando estamos muito irritados, tristes ou assustados temos a sensação de que aquilo que estamos vi-vendo nunca vai mudar. Isso, porém, é um engano. Lembre-se disso diariamente para que seja mais fácil evocar essa certeza em situações difíceis.
Imite o que é bom. Ler e assistir filmes sobre personagens históricos que venceram grandes desafios é inspirador. Prestar atenção às pessoas de seu círculo social que superaram dificuldades também nos oferece ideias para lidarmos com nossos próprios impasses.

– Não se isole. Quando as coisas parecem muito complicadas e assustadoras, algumas pessoas tendem a se fechar e evitar partilhar o desconforto, temendo ser mal interpretadas ou parecerem fracas. Essa atitude, porém, é um equívoco. É importante recorrer a amigos queridos que possam nos ouvir ou apenas nos oferecer um colo. Marcar uma corridinha num parque com sua turma de treino pode ser um santo remédio

– Respire. Na hora do aperto é fundamental manter a conexão consigo mesmo e uma das formas mais simples e comprovadamente eficazes de fazer isso é prestando atenção no ar que entra e que sai de nossas narinas. É importante levar, gradualmente, o oxigênio para a região da barriga, três dedos abaixo do umbigo e expirar lentamente, tomando consciência desse movimento. O mais indicado é fazer isso com a coluna reta, pelo menos 21 vezes, mantendo a concentração, para “avisar” o cérebro que está tudo bem.