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Como sobreviver aos primeiros 21km da SPCity Marathon 2026

A mudança mais comentada no percurso da SPCity Marathon 2026 vem logo depois da largada: o Minhocão saiu do trajeto e deu lugar a um novo trecho entre Pacaembu, Barra Funda e o centro histórico de SP. A primeira reação de muita gente foi abrir o mapa de altimetria para descobrir se a prova tinha ficado mais fácil. A resposta está longe de ser tão simples.


No novo percurso, a altimetria total foi praticamente foi preservada; na prática, o que mudou é a forma como ela aparece ao corredor. Em vez de concentrar a leitura do percurso em um único trecho, a prova agora distribui pequenos desafios desde os primeiros quilômetros. Eles parecem discretos quando analisados isoladamente no gráfico, mas juntos exigem um comportamento diferente de quem pretende correr bem até o Jockey, seja pra fechar os 21km ou pra entregar a maratona.


Existe um outro detalhe que merece atenção desde já: aproximadamente 68% de todo o ganho acumulado de elevação da maratona acontece antes da meia-maratona. Ou seja, quando você cruzar a marca dos 21 km, a maior parte da escalada da prova já ficou para trás. Ali, os meio-maratonistas vão receber uma medalha; já os maratonistas ganham uma prova totalmente diferente, já que a segunda metade da maratona cobrará outras qualidades do corredor.

Bora entender isso melhor?


Km 0 ao 10: A prova ainda não exige das pernas, mas já começou na cabeça.

Os primeiros 10 km premiam quem consegue conter a empolgação. Quem larga tentando ganhar tempo normalmente descobre, nos kms finais, que apenas antecipou o momento de perder.


A largada na Praça Charles Miller, no Pacaembu, continua sendo um dos momentos mais emocionantes da SPCity. A prova começa com um ligeiro declive pela Av. Pacaembu, num momento em que as pernas e a cabeça querem sair embalados pela adrenalina da largada. O problema é que a empolgação costuma esconder o que realmente importa: logo em seguida, entre o Pacaembu e a Barra Funda, surgem cerca de 4km de aclive praticamente contínuo. Não são rampas agressivas, mas subidas longas, progressivas e suficientes para elevar a frequência cardíaca justamente quando as pernas ainda estão cheias de energia. É exatamente esse contraste que faz tanta gente errar, acelerando cedo demais.


O percurso leva os corredores pela Avenida Dr. Abraão Ribeiro, passa pela Rua Norma Pieruccini Giannotti e chega ao Viaduto Engenheiro Orlando Murgel, novidade da edição de 2026. É ali que aparece o primeiro trecho realmente seletivo da prova. O viaduto tem cerca de 429m de extensão, mas concentra inclinações entre 3% e 4%, obrigando o corredor a decidir, logo cedo, se vai administrar o esforço ou gastar energia numa prova que acaba de começar.


Depois do Orlando Murgel, o percurso segue pela Avenida Rio Branco em um trecho de falso plano. Visualmente, a sensação é de que a dificuldade passou. O relógio costuma confirmar essa impressão, já que o ritmo naturalmente acelera. Só que essa é uma das armadilhas clássicas da SPCity (e já faz tempo!): falso plano não significa terreno gratuito, apenas que a inclinação é pequena o suficiente para passar despercebida. Quem resolve acelerar nesse momento, normalmente está usando glicogênio que fará falta muito mais tarde. Antes da marca dos 10km, a pequena alça da Rua Asdrúbal do Nascimento funciona quase como um aviso do que vem pela frente. A subida é curta, mas já aponta para o principal desafio de altimetria da prova: a Avenida 23 de Maio.


Se existe uma palavra para definir esse primeiro bloco da SPCity, ela é ECONOMIA: de ritmo, de frequência cardíaca e de força muscular. Lembre-se: os primeiros 10km não entregam medalha para ninguém, mas eles decidem quanto combustível você ainda terá quando a sua prova realmente começar.

Destaques no Mapa de Altimetria (0 a 10km)

  • Ganho acumulado: +80 a +90 m nos primeiros 10 km.

  • Cerca de um terço de toda a altimetria da maratona já acontece antes da placa dos 10 km.

  • Primeiros 4 km com tendência de subida contínua entre o Pacaembu e a Barra Funda.

  • Viaduto Engenheiro Orlando Murgel (km 4,2 a 5,0): é o primeiro trecho realmente seletivo da prova.

  • Maior inclinação do setor: entre 3% e 4% no viaduto Orlando Murgel.

  • Longo trecho de falso plano pela Av. Rio Branco, onde o relógio costuma enganar.

  • Pequena subida na Rua Asdrúbal do Nascimento já funciona como aquecimento para a 23 de Maio.

  • Objetivo do trecho: chegar ao km 10 com pernas frescas, não com pace bonito.


Sugestão de Estratégia de Prova entre a largada e o km 10


Tente Fazer:

  • Sair abaixo do ritmo-alvo nos primeiros minutos.

  • Correr por esforço, não por pace.

  • Manter o mesmo esforço nas subidas, mesmo que o ritmo caia.

  • Aproveitar as pequenas descidas para relaxar a musculatura.

  • Começar hidratação e alimentação cedo.

  • Pensar que está economizando energia para os últimos km da prova.


Procure Evitar:

  • Tentar recuperar tempo depois do viaduto Orlando Murgel.

  • Acelerar nos falsos planos da avenida Rio Branco.

  • Transformar os primeiros kms numa disputa de posição.

  • Gastar energia porque ‘está sobrando perna’.


Km 10 ao 21: a subida que todo mundo respeita

A 23 de Maio vai testar suas pernas. O restante do trecho, a sua disciplina.


A partir da placa de 10km, a personalidade da SPCity muda completamente: ali começa a longa subida da Avenida 23 de Maio. São aproximadamente 2,3km de ascensão contínua, com ganho de cerca de 68 metros de altitude e inclinações que chegam perto de 6% em alguns pontos. É o maior trecho de subida contínua da prova e concentra boa parte do ganho acumulado nos 42km.


A tentação ali costuma ser lutar contra a subida, tentando preservar o pace planejado. Mas é justamente o contrário que costuma funcionar melhor. O melhor indicador nesse trecho deixa de ser o relógio e passa a ser o esforço percebido. Se o pace cair alguns segundos por km, relaxa: isso faz parte do jogo. Seu objetivo é chegar ao topo inteiro, não vencer uma batalha isolada.


A recompensa aparece logo depois, quando a visão do obelisco surge no seu horizonte. Daquele ponto, na altura do bairro do Paraíso, até a região do Jockey Club, o percurso mergulha em uma longa sequência descendente: são cerca de 4,5km perdendo aproximadamente 100 metros de altitude. Parece o momento perfeito para recuperar todo o tempo perdido na subida. Errado! Numa prova de longa distância, descida não é convite para acelerar, mas para reduzir o esforço enquanto a gravidade faz parte do trabalho. Quem transformar esse trecho em perseguição ao relógio costuma chegar nos kms finais com o quadríceps muito mais desgastado do que deveria.


Na sequência rumo ao Jockey, aparecem os túneis do Tribunal de Justiça (720m), o Sebastião Camargo (970m) e o Jânio Quadros (1,9km) sob a Marginal Pinheiros, outro ponto característico da SPCity. Além da mudança de iluminação e temperatura, muitos relógios passam a apresentar oscilações de GPS. O ritmo instantâneo perde confiabilidade, alternando velocidades incompatíveis com a percepção de esforço realizado. Relaxa! A melhor estratégia em túneis é simples: ignore o relógio por alguns minutos, e confie na respiração, na cadência e nos sinais do seu corpo. Afinal, o GPS volta lo go adiante mas a energia desperdiçada tentando corrigir um dado errado, não.


Quando o Jockey Club aparece na marca dos 21,1km, os participantes da meia-maratona encontram a linha de chegada. Para quem escolheu os 42 km, porém, esse portal vai representar apenas uma mudança de capítulo, já que a altimetria mais pesada ficou para trás. A partir dali, a maratona deixa de cobrar pelo relevo e passa a testar resistência muscular, gestão de energia e capacidade mental. É justamente nesse momento que a prova troca de personagem.

Destaques no Mapa de Altimetria (10 a 21,1km)

  • Desde a largada até o km 21, o corredor já acumulou cerca de +169 m de ganho, aproximadamente 68% de toda a altimetria da prova.

  • Subida da Av. 23 de Maio (km 9,8 a 12,1): tem cerca de 2,3 km de subida contínua e aproximadamente +68m de ganho; com inclinações chegando perto de 6%, é o trecho mais exigente da prova.

  • Depois do topo, na região da Liberdade, começa a maior descida contínua do percurso: cerca de 4,4km até a entrada do Jockey e aproximadamente -100 m de perda de altitude.

  • Sequência de com cerca de 4km inclui três túneis, onde o GPS costuma oscilar. A boa notícia: tirando os desníveis para entrada e saída dos túneis, os últimos kms até o Jockey são bem mais planos.


Sugestão de Estratégia de Prova entre 10 e 21,1km


Tente Fazer:

  • Subir a 23 de Maio pensando em preservar energia, não em manter o pace.

  • Deixar a frequência cardíaca subir de forma controlada.

  • Usar a descida para recuperar esforço, não para acelerar.

  • Nos túneis, correr pela sensação de esforço.

  • Aproveitar a chegada ao Jockey para reabastecer física e mentalmente.


Procure Evitar:

  • Atacar a subida tentando "vencer a 23".

  • Descer travando a musculatura ou exagerando na passada.

  • Ajustar ritmo olhando o GPS dentro dos túneis.

  • Se vc ainda vai pros 42km: cruzar a meia comemorando como se a prova tivesse terminado.


O que fica para quem vai aos 42km

Na placa de 21km da SPCity Marathon, o corredor da meia ganha uma medalha; e o maratonista recebe uma nova prova. A partir do Jockey, o relevo deixa de ser protagonista e quem assume o comando é a gestão de energia. É ali que a corrida troca de assunto.


Se os primeiros 21km da SPCity 2026 exigem inteligência para administrar o relevo, a segunda metade da prova apresenta desafios completamente diferentes. A USP, o trecho do Villa-Lobos, a monotonia do percurso, a fadiga acumulada e o momento em que a maratona realmente começa merecem uma análise própria.


Esse será o tema da segunda parte deste Guia, que em breve estará disponível no site do Jornal Corrida, completando o mapa estratégico dos 42,195 km da Nike SPCity Marathon 2026. Mas se vc está ansioso e já quer começar a destrinchar esse percurso, o link do Km a Km abaixo já faz uma boa revisão desse trecho.


Guia de Altimetria SPCity 2026 / Parte 1

Parte 2, com a segunda metade dos 42,1km, EM BREVE!


Km a Km Comentado / O Novo Percurso da SPCity 2026


Mesmo assim, vc ainda ficou alguma dúvida? Deixa nos comentários! Se ela passou pela sua cabeça, provavelmente já está tirando o sono de outros corredores. A gente ama correr atrás de kms, mas ama ainda mais correr atrás de informação que pode fazer diferença no dia da prova. #jornalcorrida #spcitymarathon2026

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