As Mudanças no Percurso da SPCity Marathon em 2026
- Renata Monte Alegre
- 21 de jun.
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de jun.
A SPCity trocou um dos trechos mais simbólicos do percurso por uma largada mais fluida. Entre nostalgia e performance, corredores tentam entender o que faz uma maratona ser memorável.

Desde a primeira edição em 2016, os corredores da SPCity Marathon se acostumaram a deixar o Pacaembu em direção ao Minhocão. Era um trecho já conhecido, quase um ritual de iniciação da prova. Quem participou da corrida nos últimos anos aprendeu a associar aqueles primeiros kms à experiência de finalmente entrar em uma das avenidas mais emblemáticas da cidade e que demandava um esforço relativamente homogêneo, perfeito pra aquecer os motores.
Em 2026, isso muda. O novo traçado abandona o Elevado Presidente João Goulart e leva os corredores por um trecho mais parecido com o utilizado na São Silvestre. Após a largada na Praça Charles Miller, o percurso segue em direção à região da Barra Funda, passando pela Rua Norma Pieruccini Giannotti, Avenida Rudge e Viaduto Engenheiro Orlando Murgel antes de alcançar a Avenida Rio Branco.
Na prática, a organização argumenta que a mudança melhora a fluidez da prova nos quilômetros iniciais. Faz sentido: com mais de 32 mil inscritos entre meia e maratona, sendo cerca de 8,3 mil apenas nos 42km, administrar gargalos logo após a largada se tornou uma necessidade tão importante quanto garantir hidratação.
Mas a mudança não é apenas logística. Ela também altera a narrativa dos primeiros quilômetros. O Minhocão era um trecho relativamente plano e bem previsível, inclusive por ter um bate-volta. Agora, o novo percurso apresenta um desafio que aparece mais cedo: a subida do Viaduto Orlando Murgel. Não é uma montanha nem o tipo de aclive capaz de decidir uma maratona. Mas surge justamente no momento em que muita gente ainda está tentando controlar a empolgação da largada. E é aí que mora o detalhe mais interessante .
A principal consequência da mudança talvez não seja física, mas de comportamento. O novo percurso exige que o corredor faça uma escolha mais inteligente logo nos primeiros quilômetros. Quem largar acelerado demais encontrará um lembrete precoce de que ainda existem muitos quilômetros pela frente. Quem respeitar o próprio plano de prova provavelmente passará por esse trecho sem grandes sustos.
Por isso, quando alguém pergunta se a SP City ficou mais difícil, talvez a melhor resposta seja outra: ela ficou diferente. A boa notícia é que a essência permanece intacta. A 23 de Maio continua lá. Os túneis continuam lá. A USP segue esperando os maratonistas na segunda metade da prova. A discussão parece muito menos sobre altimetria e muito mais sobre identidade.
O Minhocão funcionava como um símbolo da SP City, quase um patrimônio afetivo da prova. O novo trecho parece atender a uma lógica mais pragmática, privilegiando fluxo, segurança e distribuição do pelotão.
O corredor da SPCity prefere percursos memoráveis ou percursos eficientes?
Porque, na prática, quase toda grande maratona tem que escolher entre as duas coisas, pois raramente consegue entregar ambas ao mesmo tempo. #jornalcorrida #spcitymarathon2026




